A santa e a solidariedade

A canonização de Irmã Dulce, agora Santa Dulce dos Pobres, assim reconhecida pelo Vaticano, levou milhares de brasileiros, há pouco mais de duas semanas, àquela cerimônia especial, celebrada pelo papa Francisco. Pequenina, de saúde frágil, mas de coração enorme e compassivo, Dulce não poupava esforços quando se deparava com os deserdados da sorte, sob os viadutos de Salvador.

A partir de um pequeno galinheiro, criou o Hospital Santo Antônio, que hoje atende substancial quantidade de necessitados, somente pelo Sistema Único de Saúde, dando-lhes o lenitivo para suas doenças, sofrimentos, buscando restaurar-lhes o vigor. Sua atividade intensa em favor dos pobres rendeu-lhe, ao fim da vida, o agradecimento de milhões de baianos e brasileiros em geral. O evento foi transmitido para todo o Brasil e Waldonys, sanfoneiro cearense, cantou o hino em homenagem à nova santa.

A lamentar, porém, a ausência do presidente da República, como mandatário da maior nação católica do mundo, e o silêncio absoluto de alguns segmentos da mídia eletrônica nacional que, por divergências religiosas com a Igreja Católica, omitiram completamente o fato de seus noticiários, como se este não tivesse acontecido - atitude intolerante, pela história de amor, caridade e desapego de Santa Dulce.

Em Fortaleza, a solidariedade da população em torno da tragédia do Edifício Andrea foi outra situação comovente. Logo após o desabamento do prédio, centenas de pessoas se mobilizaram em apoio aos bombeiros e sobreviventes.

Muitos atuaram no resgate das vítimas ou se envolveram em diversas campanhas de doação de água, alimentos ou roupas às famílias atingidas pelo desastre. Os últimos dias foram marcados pela religiosidade e pelo sentimento de dor que uniu os fortalezenses de todos os bairros em torno do drama vivido por aquelas famílias. Que esse amor e essa compaixão continuem sempre vivos em nossos corações!

Gilson Barbosa

Jornalista


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