Tomada de 3 pinos: indústria no CE alega que mudar traria "sérios prejuízos"; entenda prós e contras

Inmetro reforça a segurança técnica do padrão atual. O que dizem os críticos e os defensores da mudança no padrão de plugues

Legenda: O padrão de três pontos é obrigatório desde 2011 e foi implementado com objetivo de trazer mais segurança aos usuários.
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Após o governo reabrir as discussões para alterar a tomada de três pinos, o setor produtivo no Ceará demonstra preocupação acerca de uma nova mudança. Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará (Simec), Sampaio Filho, uma nova adaptação requeriria investimentos para a adequação ao novo padrão estabelecido.

"O modelo atual já se consolidou no Brasil. Mudanças inesperadas nos padrões e normas regulamentadoras geram sérios prejuízos às empresas, gerando necessidade de mudanças na linha de produção, de fornecedores e prejuízo para estoques de produtos finais ou insumos que não se adequem a essas mudanças", dispara Sampaio.

Vaivém de mudanças no padrão das tomadas e pouco debate

O presidente do Simec defende que haja discussões técnicas qualificadas e um profundo debate com a sociedade antes de decidir uma nova alteração.

Isso é importante, porque ainda há um risco dessa mudança ser novamente revertida pouco tempo depois e gerar ainda mais prejuízo para as indústrias, além de criar um clima de incertezas desnecessárias que pode adiar ou paralisar investimentos em curso

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O padrão de três pontos é obrigatório desde 2011 e foi implementado com objetivo de trazer mais segurança aos usuários.

O terceiro pino evita choques quando conectado a tomadas de imóveis com aterramento elétrico. 

Em 2018, o setor eletroeletrônico faturou R$ 146,1 bilhões, valor 7% maior que o ano anterior (R$ 136 bilhões), segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

A instituição ainda projeta um crescimento de 5% no faturamento deste ano, que deve chegar aos R$ 153,4 bilhões.

Padrão de plugues é irregular em todo o mundo e segurança é garantida com 3 pinos, alerta Inmetro

Responsável por acompanhar a implantação e fiscalizar o padrão, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) alega, por meio de nota, não ser o regulamentador do padrão de tomadas e plugues e, portanto, "não possuir competência legal para revogar o uso compulsório do plugue de três pinos".

Consultado sobre o assunto, o Inmetro informa que ratificou a segurança técnica do padrão brasileiro e ressaltou que não há um padrão único de plugues e tomadas no mundo.

€ 100 bilhões
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"Mesmo países muito próximos e que unificaram sua moeda, como os da Comunidade Europeia, não unificaram seus padrões de plugues e tomadas, de tal forma que países como Itália, Alemanha, França, entre outros, possuem padrões diferentes entre si", acrescenta a nota. 

Quem adota modelo igual ao Brasil no mundo?

Apenas Suíça e África do Sul adotam padrão igual ao brasileiro. De acordo com o Inmetro, existem no mundo cerca de uma centena de configurações de padrões diferentes adotados.

O Inmetro ainda pontua que existe um debate envolvendo outras secretarias do governo sobre a hipótese de flexibilização do padrão brasileiro, envolvendo questões como "análise técnica, impacto sobre o setor industrial e comercial, impacto na percepção do consumidor como custo/benefício em relação aos equipamentos que possui, impacto em relação a órgãos reguladores envolvidos e assim por diante".

Legenda: Secretário Carlos Alexandre da Costa adiciona que o atual padrão de tomada, como governo Bolsonaro chama internamente de "tomada do PT", é uma "excrescência":
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Um dos principais questionamentos dos críticos da tomada de três pinos é de que o padrão dificulta a exportação de eletroeletrônicos brasileiros, por exemplo.

"A sociedade brasileira, com toda legitimidade, rejeitou a tomada de três pinos", disse o secretário especial de Produtividade e Competitividade, Carlos Alexandre da Costa, no último dia 18. 

“Não é só um tema técnico. É um tema que afeta a segurança, a concorrência e a produtividade”, comentou.

Na análise de Sampaio Filho, uma estratégia de inserção internacional leva em consideração adequações necessárias no produto, o que não invalida a tomada de três pinos.

"As indústrias incluem isso em sua estratégia de exportação, não gerando grandes dificuldades, com exceção de não possibilitar redirecionamento dos estoques inicialmente planejados para o mercado interno", destaca o presidente do Simec.