Sistema tributário é principal obstáculo para investimento no Brasil, diz FMI

As previsões de crescimento feitas pelo Fundo Monetário Internacional para o País seguem esse desânimo

Legenda: O FMI declarou apoio às decisões dos governos de aumentar os gastos para fortalecer os sistemas de saúde e proteger empresas e trabalhadores
Foto: Foto: Reuters

O FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou nesta sexta-feira (18) que o sistema tributário é o principal obstáculo para investimentos no Brasil e que é preciso medidas concretas -que vão além da reforma da Previdência- para que o país atinja um crescimento econômico no médio a longo prazo.

O diretor para Hemisfério Ocidental do Fundo, Aasim Husain, afirmou a jornalistas que é preciso tornar o sistema tributário brasileiro mais eficiente e manter a inflação e os juros baixos para criar um ambiente mais favorável aos investidores.

Segundo o economista, enquanto a inflação se mantiver "bem comportada", há espaço para manter uma política monetária acomodatícia, ou seja, de juros baixos.

"O sistema tributário no Brasil tem sido identificado como o principal impedimento para investimento no País. A reforma tributária e tornar o sistema mais eficiente são áreas que poderiam ser significativamente melhoradas", diz Husain.

"Além disso, a liberalização comercial, o recente acordo entre União Europeia e Mercosul, assim como o plano de privatizações são outros elementos de reformas estruturais que vão contribuir para elevar a produtividade do crescimento no médio a longo prazo", completou.

Há alguns meses, os investidores nos Estados Unidos têm adiado suas apostas no Brasil pois afirmam que, apesar do discurso de que reformas estão avançando no Congresso, não há reflexo dessas medidas nos índices de crescimento econômico do País. Eles têm preferido colocar seu dinheiro em nações emergentes da Ásia, por exemplo.

As previsões de crescimento feitas pelo FMI para o Brasil seguem esse desânimo. Os números divulgados na terça-feira (15), durante a reunião anual do Fundo, não são animadoras mesmo se comparadas aos dados previstos para a economia mundial - em forte desaceleração - ou aos esperados neste ano para países emergentes ou em desenvolvimento.

O Fundo espera um crescimento de apenas 0,9% do PIB (Produto Interno Brasileiro) para este ano - a previsão de abril era de 2,5% -, enquanto as expectativas para os demais emergentes, por exemplo, foram revistas de 4,5% para 3,9%.

Em 2020, o crescimento do PIB brasileiro pode chegar a 2%, de acordo com o Fundo, mas Husain pondera que será possível quantificar o impacto das reformas na economia de fato somente quando "os planos se tornarem medidas específicas."

"Na ausência dessas medidas, como fazemos em todos os países, não incorporamos isso (quantificação do impacto) em nossas previsões até que as medidas reais estejam em vigor."

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