Setor produtivo pede unidade e reabertura gradual da economia

Empresários dizem esperar que o Governo do Estado reabra a economia aos poucos. Já o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, que concorda com o pleito, disse que irá seguir as recomendações de saúde dos especialistas

Legenda: Presidente da Fiec disse que pedido para retomar atividades não será feito sem ouvir especialistas em saúde  
Foto: Foto: Fabiane de Paula

As lideranças do setor produtivo cearense reforçaram a unidade para enfrentar a crise de saúde e econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, mas destacaram a necessidade de se pensar em estratégias de se fazer uma reabertura gradual de setores da economia. O posicionamento foi ressaltado durante uma live entre os líderes das entidades de classe com o deputado Domingos Neto, no fim da tarde de ontem (27).

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Entre os convidados estavam o Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec); Maurício Filizola, presidente da Fecomércio; Romildo Rolim, presidente do Banco do Nordeste (BNB); Cláudio Bastos, CEO da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP); Severino Ramalho Neto, diretor-presidente da rede Mercadinhos São Luiz; Eduardo Diogo, diretor Administrativo Financeiro do Sebrae Nacional; e Deusmar Queirós, fundador da rede Pague Menos.

A preocupação do grupo de empresários é fazer com que a economia cearense possa voltar a andar para que as empresas possam seguir vivas, mantendo, também, os empregos. Durante a reunião, foi levantada várias vezes a possibilidade de reabertura parcial e gradual de parte da economia, para que empresas possam voltar a funcionar.

Isolamento vertical

Deusmar Queirós sugeriu que as pessoas que não fazem parte dos grupos de risco possam voltar ao trabalho, contando com o isolamento de pessoas idosas e com problemas crônicos de saúde que possam ser potencializados pela Covid-19.

"Não é hora para política, temos de ter um viés sanitário e confio na capacidade do ministro Mandetta e do secretário Cabetto", disse Queirós. "Mas que se faça o desconfinamento gradativo, obedecendo as faixas etárias mais elevadas. Quanto tempo vai demorar? Acho que algumas pessoas não vão aguentar muito tempo", completou.

Autoridades

Ricardo Cavalcante, contudo afirmou que, apesar de desejar que parte da economia possa voltar à ativa, nenhuma medida será tomada sem ouvir os especialistas e sem consulta ao Governo do Estado e ao secretário de Saúde.

"Só iremos solicitar desde que seja com muita segurança. Não estamos pensando em trabalhar sem pensar nos seres humanos. Passamos três horas conversando com o Governo para explicar os problemas, mas nunca esquecemos as pessoas", disse.

Ele ainda fez um desabafo, pedindo que os políticos deixassem de lado as questões partidárias para focar em resolver os problemas da população brasileira para proteger vidas e resguardar empregos.

"O Brasil precisa se unificar. Precisamos cobrar que os políticos saibam que as pessoas é que representam o Governo. O Estado somos nós, as pessoas. Temos de repensar isso, sem demagogia, pois não há espaço para brigas nesse momento em que as pessoas estão perdendo a vida e os empregos", comentou.

Cuidados

Eduardo Diogo, contudo, disse que o Governo Federal está trabalhando para reforçar os cuidados com a população brasileira. Ele mencionou que o Ministério da Economia está "debruçado para tentar solucionar o problema".

"Solução só pode vir de governos federais, que é quem tem ferramentas para solucionar essas questões. E o Governo Federal e o Ministério da Economia está debruçado sobre isso", afirmou.

Mas Cláudio Bastos, CEO da CSP, reforçou que ainda falta unidade para solucionar a crise. "Está faltando uma coordenação da crise, como na época do Fernando Henrique, quando uma pessoa centralizou o direcionamento. Hoje, as coisas estão dispersas. Eu sou economista, então não sei o que é melhor. Mas falta visão estruturada", ponderou.