Setor de serviços tem quarta queda no CE e recua 1,9% em maio

Somente a atividade turística, parte integrante dos serviços, registrou um tombo de 75,1% em maio na comparação com igual período do ano passado. É o pior resultado entre os estados pesquisados pelo IBGE

Legenda: O segmento de transporte registrou uma queda de 51,2% em maio na Capital frente a igual mês de 2019
Foto: Foto: Helene Santos

Após o tombo recorde registrado em abril (22,7%), o setor de serviços recuou 1,9% em maio no Ceará, apontando ainda efeitos das medidas de isolamento social para conter a pandemia de Covid-19. É a quarta taxa negativa consecutiva do setor, que acumula uma perda de 29,4% no período no Estado.

No acumulado no ano, o setor ficou em -11,9% e, nos últimos 12 meses, recuou 3,2%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada ontem (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com maio do ano passado, o setor de serviços recuou 29,9%, registrando a taxa negativa mais intensa desde o início da série histórica. Quatro das cinco atividades também tiveram retração. 

Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-51,2%) e os serviços prestados às famílias (-65,4%) foram principais influências negativas no índice geral. Essas atividades sofreram forte impacto das medidas de isolamento social no País.

Os serviços de informação e comunicação tiveram queda mais acentuada no comparativo com o mesmo mês de 2019, passando de -4% em abril para -8,9% em maio. Por outro lado serviços profissionais, administrativos e complementares desacelerou a queda, passando de -18,8% para -9,5%. Outros serviços foi o único com variação positiva, de 2,5%.

Na opinião de Freitas Cordeiro, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), os resultados negativos ainda devem ocorrer por mais alguns meses. “Estamos lutando para procurar alternativas de saída, mas vamos enfrentar muitos desafios. Os números traduzem uma realidade que não apareceu totalmente. Isso é preocupante. Nós estamos caminhando para uma realidade que ainda não se apresentou e estamos no momento de transição. Mas temos um esforço grande”. 

Cordeiro acredita que as medidas do Governo Federal na área trabalhista foram essenciais para a manutenção dos empregos. Ele também cita o auxílio emergencial como forma de estimular a economia. “Nós temos os recursos que o Governo está despejando, mas tem um limite. A tendência é que isso tudo pare. Ainda não se flexibilizaram as relações trabalhistas. As relações precisam ser revistas para evitarmos mais desemprego nos próximos meses”.

O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, destaca que apesar de ser o quarto mês com taxas negativas, a queda do mês de fevereiro tinha caráter conjuntural. Já os efeitos do isolamento social começaram a ser sentidos em março, que teve os últimos dez dias com paralisação das atividades. “Essa taxa de -1,9% mostra um aprofundamento de um cenário que já era muito desfavorável para o setor de serviços. Ter um resultado ainda negativo quando a comparação é feita com abril, mês que tivemos o pior resultado da série histórica (-22,7%), é bastante significativo”, pondera.

Turismo
Em maio, o índice das atividades turísticas no Ceará caiu 4,4% em comparação a abril. Foi o pior resultados entre as unidades da federação pesquisadas pelo IBGE. 

Na comparação com maio do ano passado, o índice recuou 75,1%, registrando a terceira taxa negativa seguida e a mais intensa da série histórica, sendo também o pior resultado entre os estados pesquisados no País. No acumulado do ano, o agregado especial de atividades turísticas mostrou retração de 33,5%, e no acumulado de 12 meses a retração foi de 12,5%.

“O próprio distanciamento social é um tiro no coração do turismo. Existe um esforço grande do setor para sobreviver, mas é muito doloroso. Fortaleza é um destino turístico e está preparada para receber os turistas quando tudo se normalizar. Mas as coisas mudaram muito e não temos ideia do que nos espera”, pontua Freitas Cordeiro.