Setor de serviços aprofunda queda em maio, diz IBGE

Em quatro meses seguidos em queda, o setor de serviços acumula perda de 19,7%.

Imagem de um restaurante
Legenda: Restaurantes e salões de beleza, foram especialmente atingidos com o fechamento dos estabelecimentos
Foto: Diário do Nordeste

Depois do tombo recorde de 11,7% em abril, o setor de serviços manteve o desempenho negativo em maio, com recuo de 0,9%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi o quarto mês consecutivo de queda.

Com a sequência de maus resultados, o setor que tem o maior peso na composição do PIB (Produto Interno Bruto) já acumula queda de 7,6% no ano, resultado que sofre forte influência da paralisação de atividades devido às medidas de isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus.

"Essa taxa de -0,9% mostra um aprofundamento de um cenário que já era muito desfavorável para o setor de serviços. Ter um resultado ainda negativo quando a comparação é feita com abril, mês que tivemos o pior resultado da série histórica, é bastante significativo", disse o gerente da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo.

Em quatro meses seguidos em queda, o setor de serviços acumula perda de 19,7%. Em fevereiro, porém, o mau desempenho foi provocado por razões conjunturais, disse o IBGE, já que as medidas de isolamento só começaram a ser adotadas no país na segunda quinzena de março.

Atividades
Três das cinco atividades pesquisadas pelo instituto mantiveram-se em queda em maio, na comparação com abril: serviços de informação e comunicação (-2,5%), serviços profissionais, administrativos e complementares (-3,6%) e outros serviços (-4,6%).

As atividades de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (4,6%) e de serviços prestados às famílias (14,9%) recuperaram uma parte das perdas registradas nos últimos meses. Esta última, que inclui restaurantes e salões de beleza, por exemplo, foi especialmente atingida pelo fechamento dos estabelecimentos. 

"Os setores ligados às partes de alojamento e alimentação e transporte foram os que tiveram as perdas mais importantes no mês de abril. Agora em maio, eles mostram uma certa recuperação, crescendo nesse mês, mas não o suficiente para levar o setor de serviços para o campo positivo", afirmou Lobo.

Na comparação com maio de 2019, o setor de serviços recuou 19,5%, a maior queda da série histórica da pesquisa. Nessa base de comparação, todas as cinco atividades fecharam o mês em queda.

Os dados contrastam com o desempenho de indústria e comércio, que ensaiaram recuperação no mês de maio. De acordo com pesquisas divulgadas pelo IBGE nos últimos dias, a indústria cresceu 7% e as vendas no comércio aumentaram 13,9%.

Esses resultados reforçaram entre economistas a percepção de que o pior momento já passou e que a atividade começa a se recuperar. A intensidade da recuperação, porém, vai depender da evolução no número de casos, já que novos surtos vêm obrigando cidades que relaxaram as medidas de isolamento a rever suas posições.

Ainda não há também efeitos positivos sobre o emprego. Segundo o IBGE, o número de pessoas sem ocupação no Brasil superou em maio, pela primeira vez, o contingente que tinha alguma ocupação. Desde o início da pandemia, 7,8 milhões de vagas foram extintas no país.