Setor de flores estima queda de R$ 1,3 bilhão nas vendas no país

Vendas caíram 90% desde o início da quarentena. Floricultores reivindicam uma linha de crédito específica para o negócio

Legenda: Produção de flores movimenta R$ 8 bilhões por ano, segundo dados da Prefeitura de Holambra (SP)
Foto: Samuel Macedo

Todos os dias toneladas de flores têm sido descartadas nos sítios de Holambra (a 133 quilômetros de São Paulo, capital), conhecida justamente como a cidade das flores. São rosas, orquídeas, crisântemos - plantadas há meses, até mesmo anos, para serem vendidas e usadas em festas de casamento, formaturas e outros tipos de evento.

Os produtores de flores amargam uma queda de cerca de 90% nas vendas desde o início da quarentena imposta para tentar conter o avanço do novo coronavírus no Brasil. Um levantamento feito pelo Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura) estima que o setor pode deixar de vender R$ 1,3 bilhão até o Dia das Mães, que é a principal data para esse comércio no ano.

"Após o Dia das Mães, se nada for feito agora, teremos um cenário devastador, com a falência de 66% dos produtores e o desemprego de 120 mil pessoas nas áreas produtivas", afirma Kees Schoenmaker, presidente do Ibraflor. Segundo ele, o cálculo foi feito por um grupo envolvido em um comitê de crise criado pela entidade e levou em conta a previsão de faturamento total do ano, englobando todos os setores: produtores, atacadistas e varejistas.

Produtores afirmam que as vendas zeraram na semana do dia 16 a 22 de março e tiveram uma recuperação de 5% nos sete dias seguintes. Nesta semana, segundo relatos, as vendas tiveram mais um pequeno acréscimo.

"Com as flores de corte [usadas em eventos] a retomada é mais difícil, por volta de 8% ou 10% nesta semana. As vendas de flores em vaso já estão chegando a 15%. A expectativa é de melhora nas próximas semanas, mas não acreditamos que vá passar dos 20%. Isso representa uma queda de 80% nas vendas", diz Schoenmaker.

Na quarta (1º), o prefeito de Holambra, Fernando Fiori, enviou uma carta para os governos estadual e federal solicitando atenção especial ao setor – que, de acordo com o documento, movimenta R$ 8 bilhões por ano. Por enquanto, não se disponibilizou uma linha de crédito específica para os floricultores.