Sem êxito para eólicas em leilão, CE espera fornecer equipamentos

Estado não teve projetos de energia eólica contratados, e expectativas quanto a uma termoelétrica ficaram frustradas. Agora, venda de aerogeradores para estados vizinhos está na mira. Na energia solar, Ceará teve quatro projetos vencedores

Legenda: Fábricas de aerogeradores no Estado deverão fornecer equipamentos para outros estados do Nordeste
Foto: Foto: Thiago Gadelha

O Ceará não teve nenhum projeto de energia eólica contratado no leilão de energia A-6, realizado ontem (18) em São Paulo. No entanto, o Estado poderá se beneficiar da situação ao fornecer equipamentos para os projetos contratados em outros estados no Nordeste. No certame, o Ceará teve quatro projetos vencedores, todos de energia solar fotovoltaica, somando investimentos de mais de R$ 566 milhões e 120 Megawatts (MW) de potência.

"Do ponto de vista de participação, não foi tão bom para o Ceará, mas se você analisar do ponto de vista de quem vai fornecer os equipamentos eólicos, provavelmente vão ser fornecidos pelas indústrias do Ceará. Então não deixa de ser um fato positivo fornecer os aerogeradores. De certa forma, a cadeia de negócios sempre traz investidores, mesmo não tendo parque aqui contratado nesse leilão", avalia Adão Linhares, secretário executivo de Energia e Telecomunicações da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra).

Para o titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet), Maia Júnior, o desfecho do certame foi frustrante. "O resultado foi recebido com muita tristeza e frustração. Primeiro porque com 10 dias antes do leilão nós tomamos conhecimento que a compra seria uma frustração devido às baixas taxas de crescimento do País. A oferta era muito grande, mas também havia um apetite grande dos investidores para ofertar energia, cujo preço caiu muito e isso é positivo", detalha.

O Estado tinha licenciado 156 projetos, sendo 85 de geração solar fotovoltaica, 69 de geração eólica e 2 térmicas a gás. Ao todo, os empreendimentos autorizados para o Ceará tinham uma potência de 7,467 gigawatts (GW), sendo 3,196 GW de energia solar (42,8%), 2,180 GW de térmica (29,1%) e 2,091 GW de energia eólica (28,1%).

"O problema foi a competitividade. O que nós ofertamos aqui é a mesma coisa que foi ofertada no Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia. Eles tinham uma quantidade de projetos estruturados maiores que os nossos. Para o Ceará, foi razoável por causa da energia solar fotovoltaica. A frustração muito grande foi com o principal projeto que a gente tinha na área de termoelétrica no Porto do Pecém. Eu recebi com muita tristeza esse resultado", desabafa Maia Júnior.

Termoelétrica

Um dos grandes projetos do Ceará era uma termoelétrica a gás que seria instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). No entanto, por questões competitivas de mercado, o Estado do Pará acabou levando vantagem ancorado nos incentivos fiscais apresentados aos investidores. "No Pará, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é zero para esse projeto. E no Ceará não era assim. O ICMS aqui está na faixa de 4%", acrescenta Maia Júnior.

Para Linhares, o tamanho do projeto da termoelétrica cearense foi um dos fatores decisivos para o resultado. Segundo dados da planta, o empreendimento teria potência de mais de 2 mil MW.

"Na verdade era um projeto grande que podia ter duas possibilidades de lances: um inteiro e outro pela metade. E dependendo do nível de demanda, ele entraria. Só que eu percebi o competidor do Pará, por conta de alguma vantagem competitiva, com as situações de incentivos fiscais, possibilitando melhor competitividade. Aqui, do tamanho que ela (termoelétrica) era, não foi competitiva. Tem um outro leilão que está programado e aí entramos com essa participação", considera.

Linhares também reitera que os cenários político e econômico do País não favoreceram o resultado para o Ceará. "É um momento difícil da economia brasileira, da política. E isso foi inflexível. A gente tem uma perspectiva boa de reação, e não é à toa que o Governo já anunciou um leilão para março. Esses leilões partem do princípio das demandas das concessionárias. O Governo faz isso baseado no que as concessionárias estão pedindo de energia".

Perspectiva

Para Maia Júnior, as expectativas para os certames futuros são boas. "Agora é aguardar os leilões do próximo ano, até porque essas empresas que elaboraram esses projetos na área da termoelétrica, solar fotovoltaica e eólica, permanecem. Eles já estão licenciados, então é esperar que o investidor volte a participar dos próximos leilões. Nossa expectativa é que no próximo ano a gente possa reverter os resultados que nós tivemos em 2019, que não foram o que nós gostaríamos que tivesse sido".

Segundo ele, o Estado está bem posicionado em termos de geração de energia elétrica e novos investimentos estão sendo planejados. "Nós estamos bem posicionados. Têm grandes investimentos em curso no Ceará. Estamos tomando medidas exatamente para retomar o protagonismo nessa questão. É ter paciência. O investidor esteve presente. Tem que ressaltar que o investidor trabalhou, desenvolveu projetos, licenciou os projetos, participou, mas agora a compra foi muito baixa, a frustração foi da demanda de compra", completa.

Cenário

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informaram que o leilão movimentou ao todo R$ 44 bilhões em contratos, equivalentes ao montante de 250,1 milhões MWh. As contratações viabilizam o investimento de R$ 11,2 bilhões.

"O resultado dá uma clara sinalização da expectativa de aumento de demanda por energia, vislumbrando uma retomada econômica do País. Ao mesmo tempo, temos investimentos expressivos na diversificação da matriz garantindo a complementaridade das fontes", destaca Rui Altieri, presidente do Conselho de Administração da CCEE.

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