Segmento de brinquedos educativos cresce em Fortaleza

Nova tendência para o desenvolvimento infantil, lojistas especializados relatam que mercado tem potencial para crescer. Apesar da ascensão, público ainda é muito restrito e segmento é considerado embrionário

Legenda: Leysson é proprietário da loja Novelty Brinquedos. Já a irmã Liliana presta consultoria aos clientes
Foto: Foto: Camila Lima

A preocupação dos pais em dar as melhores condições de educação aos filhos é um aspecto quase inerente a todas as famílias. Esse cuidado, no entanto, deixou de se resumir ao acesso a uma escola de qualidade. Com as crianças fazendo uma descoberta nova a cada dia, um leque de possibilidades que auxiliam no desenvolvimento infantil tem surgido. Uma delas são os brinquedos educativos. Os pais, cada vez mais atentos às tendências, têm popularizado esses produtos e ajudado no desenvolvimento de um mercado em expansão. Em algumas lojas da Capital, as buscas por esses brinquedos triplicaram nos últimos três anos.

Fluxo

Em setembro de 2017, Felipe Ponce de Leon abriu a Eu Quero Saber Brinquedos Inteligentes, loja especializada em produtos educativos, que proporcionam aprendizado e diversão ao mesmo tempo. Felipe atuava no ramo da construção civil, mas, ao ter dificuldades de encontrar itens do segmento em Fortaleza, viu uma oportunidade de negócio.

"Passei um ano pesquisando sobre o assunto, olhando lojas em outras cidades, fabricantes, catálogos. Durante um tempo tive a ajuda de uma psicóloga que me auxiliava a entender quais áreas cada brinquedo ajuda a desenvolver". Nos primeiros meses, após a abertura, ele atendia cerca de quatro pessoas por dia, número que atualmente chega a 12.

"Em junho, atendemos cerca de 280 clientes. Nossa movimentação triplicou em comparação com o início. O faturamento, apesar de a gente nunca achar que está satisfatório, é crescente", afirma Felipe.

Ele ainda desmistifica a premissa de que os brinquedos educativos são vendidos a preços inacessíveis. "Nós temos itens a partir de R$ 15. Temos opções para serem dadas como lembrancinhas até os mais complexos. Meu produto mais caro custa R$ 400, valor que é superado facilmente por outros brinquedos comerciais. E mesmo assim vendemos bem menos", revela.

Os brinquedos educativos também dão suporte às crianças com deficiência. Renata de Melo Ribeiro tem um filho nessa condição e não conseguia encontrar brinquedos adequados para ele. Com o intuito de melhorar a oferta de produtos para pais que têm a mesma dificuldade que ela, Renata inaugurou A Pilics Brinquedos Educativos em fevereiro de 2017. "Além dos próprios pais, atendemos bastantes profissionais do ramo, terapeutas, pedagogos, psicólogos", ressalta.

Mercado especializado

A proprietária revela que as vendas da loja já aumentaram cerca de 30% durante os meses de atuação do estabelecimento, mas aponta que a movimentação ainda é baixa por se tratar de um mercado muito específico.

"Não somos uma loja que está sempre cheia, como as grandes tradicionais de brinquedos, mas temos clientes que vêm de bairros distantes e até de cidades do interior do Estado para comprar conosco. E aí o que conta não é o número de consumidores, mas a quantidade que cada um leva, porque são produtos de que eles realmente precisam", analisa a mulher.

E-commerce

A Pilics também está presente na internet com loja virtual. As vendas por esse canal, contudo, são pouco representativas por conta dos custos com o transporte dos brinquedos que, em geral, são fabricados nas regiões Sul e Sudeste.

"Além do próprio brinquedo, nós temos um diferencial que é o fornecimento de informações acerca do assunto, sobre novos estudos que surgem do tema, os benefícios de cada produto. Fazemos muitas postagens no site e nas redes sociais. Nossos funcionários também são todos capacitados para orientar os clientes que chegam", aponta.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro, sinaliza que não há dados concretos e específicos sobre esse mercado, mas afirma que a tendência deve continuar se fortalecendo.

"O mundo caminha para isso. Temos visto já consultores falando disso, em unir o lúdico com o educativo e a tecnologia ajuda muito. É um mercado que se abre, mas ainda é muito incipiente", ressalta.

Tradição

Apesar de ser uma tendência que está se popularizando nos últimos anos, Fortaleza conta com lojas do segmento já consideradas tradicionais. A Novelty Brinquedos Educativos completou 31 anos de portas abertas, no último mês de fevereiro. O proprietário, Leysson Leite Chagas, conta que queria montar um estabelecimento que contribuísse de alguma forma para a educação. "Então, resolvemos abrir a loja especializada nesses produtos. E realmente só fica no ramo quem gosta muito e quer acrescentar de alguma maneira na formação das pessoas, pois é um mercado difícil".

Ele lembra que, na época, era muito difícil encontrar produtos do tipo. "Você tinha que garimpar um ou outro dentro dessas lojas maiores de brinquedos. Foi uma necessidade que vimos", acrescenta.

Sobre a movimentação na loja, ele revela que atende, aproximadamente, 400 consumidores por mês, entre pais, professores, terapeutas, psicólogos e outros profissionais. "Hoje em dia, os pais são maioria. Mas atendemos até mesmo as próprias escolas, brinquedotecas, projetos".

Leysson se orgulha do relacionamento que firma com os clientes ao longo de tantos anos. "Tenho clientes que vieram comprar brinquedos para os filhos e que hoje já vêm procurar para os netos. São até três gerações comprando conosco. Acompanhamos a criança desde pequenininha até ela constituir família e ter os próprios filhos".

A irmã de Leysson, Liliana, também ajudou na abertura da loja. "Depois, ela se formou em Psicologia e fica aqui na loja no período da manhã prestando consultoria aos pais que procuram algum produto. Ela também é responsável pela escolha dos brinquedos que trazemos, para termos a certeza de que são adequados realmente", diz o proprietário, acrescentando que toda semana a loja conta com algumas novidades.

Outro diferencial da Novelty, segundo ele, é a modernização da loja, que também vende através do site e pelo Instagram. "A maioria das pessoas ainda prefere vir à loja, ver o brinquedo, pegar. Mas já tem muita gente que conhece nosso trabalho, vê nas redes sociais e pede. Sabemos que a tendência é esse tipo aumentar, então já estamos nos adequando".


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