RMF responde por 87% dos postos de trabalho perdidos em maio no CE

No mês passado, o saldo de empregos formais no Estado foi negativo em 1,42 mil vagas, somando quase 7 mil postos fechados no ano. Setor de construção civil é o mais crítico, tendo cortado 4,5 mil empregos de janeiro a maio

Assim como a atividade econômica, os postos de trabalho no Ceará também estão concentrados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Dessa forma, a abertura bem como o fechamento de vagas são observados com maior peso na região. Foi na RMF o encerramento de 87% dos 1,42 mil empregos formais perdidos no Estado em maio, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgado ontem (27) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

O analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Mardônio Costa, avalia que a capacidade do mercado de trabalho em gerar empregos formais está cada vez mais limitada. "A economia cearense e a brasileira têm perdido dinamismo. O Ipece (Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará) divulgou recentemente que, no acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB do Estado cresceu apenas 0,2%. É um resultado pífio", afirma.

Costa pontua que as sucessivas reduções nas projeções de crescimento da economia, os índices de confiança e outros indicadores têm atrasado os novos investimentos, que acabam interferindo diretamente na reação do mercado de trabalho. "O que ainda está segurando os níveis de ocupação no Ceará são os empregos sem carteira assinada e os autônomos. Hoje, o Estado teria de gerar cerca de 1,5 milhão de empregos para suprir a demanda dos desempregados e dos subutilizados", dispara.

O analista do IDT resgata os últimos dados sobre emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram uma taxa de desocupação no Ceará de 11% da população em idade para trabalhar, além de 400 mil desalentados, ou seja, que desistiram de buscar uma recolocação.

Setores produtivos

Segundo o Caged, a construção civil é o segmento econômico com o maior volume de postos fechados. De janeiro a maio, já foram 4,58 mil vagas encerradas, 269 somente no mês passado.

O economista e sócio da Conceito Investimentos, Gilberto Barbosa, explica que a sazonalidade fraca do mês também influenciou o resultado. "Não temos nenhuma data comemorativa muito forte neste mês, além do cenário econômico desfavorável".

Ele acrescenta que alguns setores têm puxado constantemente o índice para baixo, como é o caso da construção civil. "No acumulado dos últimos 12 meses, esse segmento caiu quase 9% em termos de emprego. É uma variação muito significativa".

Nem mesmo o Dia das Mães, considerado pelo comércio varejista uma das melhores datas do ano, foi suficiente para tornar o saldo de vagas positivo. O próprio comércio fechou 345 vagas em maio e 4,42 mil no acumulado do ano. "Isso demonstra que as expectativas não foram alcançadas e que realmente a economia ainda não deslanchou", avalia Barbosa.

Série histórica

Ele chama atenção para os resultados estaduais antes da instauração da crise econômica em 2015, quando foi observado o primeiro resultado negativo da série histórica iniciada em 2004. No ano de 2014, em maio, o saldo de empregos formais foi positivo em 3.178 postos. Em 2010, esse número chegou a 6.325. "Desde então, o Estado tem dado respostas desfavoráveis, com exceção de 2018, quando foram abertas 2.039 vagas em maio e se ensaiou uma retomada que não teve força para vingar".

Sobre as perspectivas para os próximos meses, ele prevê mais um período de amargura para a economia e o mercado de trabalho.

"Devemos ficar à espera da aprovação das reformas. Não acho que a reforma da Previdência resolve tudo, mas a aprovação contribuiria para um clima de maior confiança. Como é algo sem data certa ainda para acontecer, além dos outros fatores, só devemos ver uma retomada com maior força em 2020", reforça Barbosa.


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