Refinaria: Estado e chineses assinam memorando hoje

Projeto também inclui um polo petroquímico. Os empreendimentos serão instalados na ZPE Ceará

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: Refinaria a ser instalada na Zona de Processamento de Exportação dedicará sua produção ao mercado externo, mudando os planos iniciais previstos quando a Petrobras ainda conduzia o projeto de instalação da planta de refino

Fortaleza/São Paulo. Depois de mais de dois anos do encerramento do projeto da Petrobras de construir uma refinaria no Ceará, o trabalho para captar uma refinaria de petróleo entra em nova fase nesta quarta-feira (6), quando o governador Camilo Santana assina, em São Paulo, juntamente com o presidente do China Development Bank (CDB) e representantes da companhia chinesa Qingdao Xinyutian Chemical, um memorando de entendimento em que o CDB demonstra interesse de financiar a obra, orçada em cerca de US$ 7,5 bilhões.

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O projeto completo inclui uma refinaria e um polo petroquímico, ambos instalados na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. Isso porque a produção de ambos os empreendimentos será destinada ao mercado externo.

"Estou muito otimista. Estarei em São Paulo com o presidente do Banco de Desenvolvimento da China e a empresa interessada em construir a refinaria aqui no Ceará. Nós vamos assinar um memorando de entendimento onde o banco esta disponibilizando a intenção de financiar o projeto da refinaria. Este banco é um dos bancos que tem mais dinheiro no mundo e que já está analisando o projeto", disse o governador Camilo Santana durante conversa pelas redes sociais.

O memorando de entendimento estaria dividido da seguinte forma: US$ 4 bilhões seriam destinados à primeira fase da refinaria cearense; US$ 500 milhões seriam para a construção de um novo terminal petroleiro ou a expansão Terminal de Múltiplas Utilidades (Tmut) do Porto do Pecém; US$ 4 bilhões para a segunda fase da refinaria; e outros US$ 3 bilhões para a construção de uma indústria petroquímica. A refinaria teria capacidade para refinar, em cada uma de suas fases, 150 mil barris de petróleo por dia.

Empregos

Os dois complexos que vão abrigar a refinaria e o polo petroquímico na ZPE devem gerar na fase inicial de construção cerca de 2,7 mil empregos diretos. A previsão é do secretário de Assuntos Internacionais do Estado, Antônio Balhmann. "A empresa chinesa Qingdao Xinyutian Chemical quer construir os complexos em apenas 17 meses e bater o próprio recorde que é de 19 meses. Acredito que a gente possa estar com a refinaria pronta em até dois anos a começarem as obras já no próximo ano", afirmou Balhmann. De acordo com ele, o lançamento do projeto dos dois complexos pela chinesa está previsto para agosto de 2018.

Os chineses também estão de olho em outro projeto de refinaria abandonado pela Petrobras. Trata-se da Premium I, no Maranhão, que, segundo o secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Felix, deve ser conduzida por uma empresa da China. A diferença do projeto ante o cearense é que o foco da planta de refino maranhense será o mercado interno.

Parceria

Sobre o compromisso do governador amanhã, com a assinatura do memorando, segundo Balhmann, o Estado se coloca como parceiro do projeto da refinaria. "O governo estadual entra com 10% do valor relativos ao terreno. Essa participação societária o Estado pode vender no futuro. Essa fase é um acerto do banco chinês com o governo. Isso significa dizer o fim do circuito institucional e empresarial em torno do projeto", acrescentou o titular da Secretária de Assuntos Internacionais. O próximo passo, é exatamente por o projeto em julgamento pelo banco em que a instituição avalia o financiamento para então tomar a decisão.

"A partir deste ponto, com o interesse do CDB, que eles já demonstraram, o projeto da refinaria poderá ser lançado, data que estamos trabalhando como agosto do próximo ano", observou Balhmann.

CDB

O mesmo banco cobiçado por Camilo para financiar a refinaria fechou, com a Petrobras, um contrato de financiamento no valor de US$ 5 bilhões e vencimento em 2027. A estatal informa que também assinou um contrato comercial com a empresa Unipec Asia Company, estabelecendo o fornecimento preferencial de um volume total de 100 mil barris de óleo equivalente por dia, pelo prazo de 10 anos.

Segundo a empresa, o acordo com o CDB prevê o desembolso de metade do valor em dezembro de 2017 e da outra metade em janeiro de 2018, quando ocorrerá o pré-pagamento do saldo devedor de US$ 2,8 bilhões referente ao empréstimo contratado em 2009 com o banco. Adicionalmente, diz a Petrobras, o pré-pagamento resultará no encerramento antecipado do contrato comercial assinado com a Unipec em 2009, com vencimento em 2019, para fornecimento preferencial de um volume total de até 200 mil barris de óleo equivalente por dia.

Almoço

O governador do Estado também informou que na próxima sexta-feira (8) participará de um almoço na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). "Vou fazer uma palestra sobre a prestação de contas das ações do governo e os resultados dos indicadores que o Ceará alcançou em relação a questão das finanças e os investimentos públicos", afirmou Camilo Santana.