Reabertura: mais de 100 mil pessoas vão ao Centro; 12 shoppings voltam a funcionar em Fortaleza

Primeiro dia de retomada do comércio atraiu milhares de pessoas às ruas da Capital. Lojas seguem protocolos sanitários, mas evitar aglomerações ainda é desafio

Shopping Iguatemi, clientes tem que passar por um sensor de calor para entrar no
shopping.
Legenda: Shoppings devem aferir temperatura de clientes e disponibilizar pontos com dispensers de álcool em gel em todos os espaços
Foto: Thiago Gadelha

O primeiro dia de reabertura do comércio de rua do Centro de Fortaleza atraiu mais de 100 mil pessoas ontem (8). Como somente uma parcela dos estabelecimentos abriu, e com apenas metade dos funcionários, houve registros de consumidores que se aglomeraram em filas nas portas das lojas antes da abertura. 

Além do Centro, 12 shopping centers da Capital também reabriram ontem, em dia marcado pela adaptação. O funcionamento dos centros comerciais se deu a partir do meio-dia, com 30% da capacidade de atendimento. Procurada, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) informou que não tinha números de movimentação nos shoppings de Fortaleza.

“Pelo visto, tivemos muitas pessoas no Centro. Acredito que isso diminua a partir de terça-feira em diante. Antes, o Centro recebia até 350 mil pessoas por dia. Neste primeiro dia, tivemos em torno de até 30% disso”, diz o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Assis Cavalcante. 

Nos shoppings, o público teve de se adaptar a normas como a medição de temperatura na entrada, manutenção de distanciamento entre clientes e lojistas, além de adotar o uso constante de álcool em gel nas mãos e de máscaras no rosto.

Segundo o superintendente do Iguatemi, Wellington Oliveira, os shoppings têm se preparado “há um bom tempo” para a retomada. Ele chama atenção que, para seguir as regras dos protocolos e dos decretos estabelecidos pelas autoridades públicas, a administração teve de providenciar medidas como o acesso ao álcool em gel na praça de alimentação e sanitários, uso obrigatório da máscaras e instalar um equipamento de medição de temperatura de todos os clientes que passam pela entrada principal. A tecnologia permite a aferição de até 10 pessoas ao mesmo tempo. 

A restrição, destaca Oliveira, não se volta somente aos consumidores. Os funcionários do shopping também precisam se adaptar a novas regras de funcionamento do espaço. “Eles têm um refeitório próprio, mas agora nós preparamos no estacionamento uma área mais arejada para que eles possam se servir de marmitas, pratos individuais”, exemplifica.

Consumidores se aglomeram em filas no Centro antes da abertura de lojas
Legenda: IBGE afirma que 28,6 milhões de pessoas tiveram acesso restrito ao mercado de trabalho durante a pandemia.
Foto: Fabiane de Paula

Para Assis Cavalcante, é preciso que os lojistas cumpram fielmente os protocolos e respeitem o novo horário, de 12 às 20h, de funcionamento dos shoppings. “Existe uma alegria grande (pela reabertura), mas para isso a gente tem que fazer nosso dever e ter toda responsabilidade para não aumentar o número de pessoas contaminadas e comprometer o sistema hospitalar”.

Apesar da redução na capacidade de atendimento, os shoppings têm retomado o serviço a partir da proposta de cada estabelecimento antes do período de isolamento social. No Iguatemi, por exemplo, a circulação de animais domésticos continua liberada, em áreas adequadas. “Eles passam por cuidados também, e pisam nos tapetes sanitizantes”, detalha Oliveira.

Circulação

No shopping RioMar Papicu, a autônoma Débora Mendes aproveitou a passagem pela agência da Caixa e foi adquirir outros produtos. “Com esse tempo todo dentro de casa, percebi que estou precisando de alguns utensílios, como pratos. Aí só vou comprar e depois vou para casa. Não pretendo voltar tão cedo, só mesmo em caso de necessidade”.

Leiliane Pacheco, gerente da loja Adidas Originals, também no RioMar, destaca que o atendimento voltou com 40% da equipe de funcionários e, diante de cuidados necessários para evitar o contágio do coronavírus, ela nutre expectativas positivas para a reabertura. “Para o primeiro dia, achei bem movimentado, espero que isso se reflita nas vendas”, diz.

A lojista observa que os clientes não podem, com as novas regras de circulação no shopping, experimentar roupas e entrar na loja sem limpar as mãos com álcool em gel ou desrespeitar as sinalizações de distanciamento físico.</CW>

Expectativa

Para Naiana Sousa, gerente da loja Arezzo no RioMar, a sensação com a reabertura era similar a de inaugurar uma nova loja. “Foi como se fosse o nosso primeiro dia de trabalho”. Ela percebe, porém, que as limitações sociais diante da pandemia mostram que não é um retorno ao que era antes do isolamento. A empresa segue investindo no atendimento online, em paralelo à recepção física da clientela.

“Só um caixa nosso vai funcionar na loja, com distanciamento, para que o cliente não fique tão pertinho. Tem marcação no chão, álcool em gel, lavagem das mãos de hora em hora, e todos os funcionários passam pela medição de temperatura também. A gente está com boas expectativas e com isso queremos aumentar nossas vendas”, vislumbra.

A proprietária da loja T-shirt in box, Rhasny Roque, disse que escalou funcionários que já tiveram Covid-19 para trabalhar neste primeiro momento. “A gente colocou todo mundo de máscara, disponibilizou álcool em gel na porta, estamos fazendo uma estrutura na loja para não ter provador, entre outras medidas”, explicou. 

Ela conta ainda que, por conta da crise da pandemia, foi obrigada a fechar uma loja, ocasionando algumas demissões. “Sobrevivemos à base de vender máscara, porque foi um produto de necessidade e oportunidade muito grande. E infelizmente tivemos que fazer uma redução”. 

Comércio de rua

Em uma loja de calçados do Centro, o proprietário Francisco de Assis Cabral disse que nunca passou tanto tempo sem trabalhar. “Foi um aprendizado. Vamos começar tudo de novo agora. A gente tem que encarar isso com muita seriedade. Ficamos parados e foi difícil manter os compromissos em dia”.

O comerciante afirmou ainda que a sua loja começa o trabalho apenas com a metade do quadro de funcionários. Toda uma infraestrutura foi montada para seguir com as recomendações dos especialistas da saúde. “Os vendedores vão começar os trabalhos todos com máscara. Teremos o álcool em gel e trabalharemos com 50% do quadro da loja”

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