Passagens caem 8,9% em três anos no Ceará; redução vem após cobrança por despacho de malas

No entanto, especialistas apontam que os tíquetes mais baratos foram gerados pela competição entre as companhias aéreas e outros fatores de mercado

Legenda: A Abear também solicitou ajuda para a OAB, que vai investigar ação de startups especializadas em oferecer tais serviços
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

O preço das passagens aéreas caiu 8,89%, em média, no Ceará no acumulado de janeiro a maio deste ano na comparação com igual período de 2016 - antes da cobrança pelo despacho de malas. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que realiza mensalmente o monitoramento das tarifas, o valor médio no Estado passou de R$ 416,05 para R$ 379,06.

No entanto, é preciso ressaltar que em 2016 ainda não valiam as regras para o despacho de bagagens. A Anac autorizou a cobrança por parte das companhias naquele ano, mas as regras começaram a ser aplicadas em 2017. Já em 2019, o preço de R$ 379,06 considera apenas o bilhete e não contabiliza os gastos dos viajantes com as franquias de malas e demais serviços opcionais.

De 10 trechos pesquisados pela reportagem, apenas uma rota teve aumento no valor médio da passagem. De acordo com as informações da Anac, o trecho Fortaleza-Salvador teve alta de 14,58%, no acumulado de janeiro a maio de 2019 em relação a igual período de 2016. As tarifas médias passaram de R$ 276,24 para R$ 316,52.

A maior queda foi registrada na rota Fortaleza-Natal, que teve redução de 35,62% no período analisado. De janeiro a maio de 2016, a tarifa média foi de R$ 263,29, enquanto que neste ano foi de R$ 169,48.

As 10 rotas pesquisadas pela reportagem foram Fortaleza-Natal (-35,62%), Fortaleza-Belo Horizonte/Confins (-29,33%), Fortaleza-Belém (-28,32%), Fortaleza-Recife (-14,16%), Fortaleza-São Paulo/Guarulhos (-10,36%), Fortaleza-Manaus (-9,75%), Fortaleza-Brasília (-9,29%), Fortaleza-Rio de Janeiro/Galeão (-6,26%), Fortaleza-Campinas (-6,20%) e Fortaleza-Salvador (14,58%).

Avaliação

Uma especialista do setor aéreo que não quis se identificar ressaltou que as reduções nos preços das passagens no Ceará e no restante do País não se devem diretamente à obrigatoriedade de cobrança do despacho de bagagens. Companhias aéreas e entidades ligadas ao setor reforçam desde 2016 que a cobrança da franquia de malas reduziria o valor dos bilhetes.

Segundo a fonte, os fatores principais para a baixa dos preços são a concorrência, demanda e melhorias na infraestrutura aeroportuária. "Além da concorrência, a diminuição do custo Brasil e melhorias na infraestrutura, principalmente na distribuição do combustível, estimulada pelo transporte por dutos, pode ajudar na redução das tarifas".

Para a especialista, diferentemente da bagagem, a concorrência é o melhor fator para fazer os preços caírem no País.

"A bagagem é relativa. É concorrência. Se a demanda aumenta, a concorrência diminui o preço. Falar que a bagagem vai diminuir o preço é utopia, é discurso da Anac e das companhias aéreas para enganar a população", dispara.

Além disso, a fonte do setor reitera que é preciso mais transparência nos valores cobrados. "A companhia deveria informar o quanto que paga de taxa aeroportuária. É preciso mais transparência para o passageiro saber o que ele está pagando. A companhia aérea tem que informar e ser mais clara. Tem que vir tudo que o passageiro paga no bilhete".

A especialista ainda aponta que também houve incremento das operações em Fortaleza pela isenção da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o querone de aviação. O fator também teria influenciado na redução de preço das passagens.

Inflação

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que os preços das passagens aéreas caíram 11,59% em agosto deste ano na comparação com igual período de 2018 em Fortaleza e Região Metropolitana.

De janeiro a agosto deste ano, o valor dos bilhetes teve redução de 12,09% se comparado ao acumulado do ano passado. No entanto, em 12 meses, a tarifa teve alta de 2,58% na Capital e RMF.

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