Paralisação do setor de eventos provoca reagendamentos das celebrações de matrimônio

Apenas na Igreja de Fátima, uma das paróquias mais tradicionais da capital cearense, 26 cerimônias foram suspensas durante a crise. Noivas relatam arcar com reajuste de até 10% no valor dos serviços, para reagendar os eventos, e fornecedores se queixam de perda total do faturamento

Foto: José Leomar

As cerimônias de casamento costumam envolver um investimento alto para o orçamento dos noivos e muito planejamento para que tudo saia conforme o "sonho" de consolidar o matrimônio. Com a paralisação do setor de eventos por conta das restrições da pandemia do novo coronavírus, casais, igrejas e empresas da área, a exemplo de cerimoniais e buffets, tiveram de lidar com um acerto complexo, em torno de um acontecimento que exige agendamento com antecedência e vários prestadores de serviço atuando ao mesmo tempo. 

Segundo o Padre Ivan de Souza, pároco da paróquia e santuário Nossa Senhora de Fátima, 26 cerimônias de casamento foram suspensas na igreja em virtude das restrições da pandemia. Dos 26, 3 casais chegaram a procurar outra igreja para conseguir uma data nova, e 10 remarcaram na paróquia de Fátima. Metade dessas famílias (13) ainda comunicou que ia analisar a possibilidade de remarcação. 

A paróquia segue recebendo, praticamente todos os dias, famílias que planejam marcar casamentos. Há casais na procura por datas para 2021 e 2022. No entanto, segundo o paróco, a Igreja de Fátima adotou cautela nesse momento e não tem fechado com esses noivos ainda, em consequência das incertezas da pandemia.

Padre Ivan também aponta que as principais consequências da ausência das cerimônias é o prejuízo para o trabalho de toda a cadeia produtiva em torno do evento, incluindo, por exemplo, cerimonialistas e músicos.

A cerimonialista Débora Santos costumava realizar, antes da pandemia, de 3 até 9 celebrações de casamento em Fortaleza. Com a paralisação, ela praticamente zerou seu faturamento e ainda acumulou dívidas. "Alguns clientes não pagaram parcelas, e eu nem tive coragem de cobrar. Fora os casos em que tive que devolver o dinheiro", relata ela. 

Sobre a perspectiva do Governo do Estado liberar o setor no próximo mês de setembro, Débora avalia que, caso o protocolo seja rígido ao ponto de tornar a festa muito restritiva, a maioria dos noivos deve manter as datas das celebrações para o ano que vem. "Consegui adiar alguns eventos para o próximo ano, e só uma (cliente) vai casar agora, dia 18 de outubro", detalha a cerimonialista. 

De acordo com Laucy Alves, presidente da Associação dos Cerimonialistas do Ceará, a paralisação de 5 meses do setor provocou uma série de cancelamentos ou adiamentos de contratos, dentre cerimônias de casamentos e outros eventos.

A entidade vive a expectativa de o Governo do Estado liberar o setor para o retorno às atividades e acrescenta que, durante o período de pausa, os cerimonialistas tiveram que se sustentar através de "bicos" (trabalhos informais) e ainda contar com campanhas de arrecadação de cestas básicas para se manter. 

Noivas

Para a empresária Samira Mota, a situação não provocou a alteração da data de sua cerimônia. O casamento dela segue marcado para o próximo dia 19 de dezembro e, por enquanto, ela e o noivo não pensam em mudar. O agendamento foi feito há mais de 1 ano e ela teme adiar a cerimônia e não encontrar vaga na Igreja de sua preferência.  

"Está tudo muito incerto! Tenho medo de alterar e não ter vaga na data que quero e ainda ter que conciliar todos os fornecedores em outra data. Tá difícil", admite Samira. 

Ela não calcula quanto gastaria se decidisse pelo adiamento mas, baseado na experiência de outros casais amigos, Samira relata que a tentativa de adiar não é simples. Nesse caso, igrejas e demais fornecedores cobrariam multas e, dessa forma, tornariam mais caro o orçamento inicial do evento. 

Atraso

A fisioterapeuta Alana Matos também começou a programar seu casamento há um ano e meio. "A pandemia atrasou meu chá, que seria em maio. Mas eu não queria acreditar que a pandemia ia adiar meu casamento. Não acreditei que essa paralisação ia durar tanto tempo", confessa Alana. 

Com as finanças comprometidas pela crise, ela e o noivo acharam mais prudente, tanto pela saúde mental deles, como pela condição financeira, marcar nova data para a cerimônia: dia 23 de outubro de 2021. 

O casal ganhou mais tempo para organizar os detalhes e não teve problema para acertar novos acordos com os fornecedores. Porém, os serviços ficaram em média 10% mais caro, em relação à data anterior. 

"Já tínhamos pagado quase todos os fornecedores e não queríamos perder nenhum. Tivemos de arcar com um reajuste para remarcar a data. E como o valor dos contratos são altos, houve uma diferença bem significativa (no orçamento final da cerimônia)", complementa a fisioterapeuta.

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