Para reduzir prejuízos, Fiec media diálogo sobre obras nas rodovias

Encontro com entes do Governo Federal e Estadual pautará obras da CE-155, rodovia que dá acesso ao Porto do Pecém, e do Anel Viário, cujas más condições têm aumentado custos do setor produtivo local

Legenda: Más condições das estradas chegam a aumentar em até 35% custos do setor produtivo.
Foto: FOTO: FABIANE DE PAULA

Diante dos entraves para as obras da CE-155, que dá acesso ao Porto do Pecém, e da Rodovia Quarto Anel Viário, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) media reunião hoje (29), com representantes do Estado, da União, entidades e empresários para reduzir os prejuízos.

O presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, revela que serão discutidos tanto o projeto de duplicação da CE-155 como as condições atuais da rodovia. "Precisamos dar condições de tráfego suficientes para que as empresas instaladas no entorno tenham condições de trazer matéria-prima e exportar a produção através da CE atual", ressalta o presidente. "Só a Aeris, que fabrica pás eólicas, possui 4,5 mil funcionários trabalhando nos três turnos. Precisamos dar uma solução para esse pessoal".

Conforme o Diário do Nordeste informou na edição de 23 de janeiro, a empresa precisa, de forma recorrente, enviar uma equipe ao Porto para reparar danos causados à pá eólica no trajeto - quando não precisam retornar à fábrica ao quebrarem no caminho. As más condições das vias chegam a gerar um aumento de até 35% dos custos do setor produtivo, o que deve se agravar com o período chuvoso.

Já sobre a possibilidade de devolver as obras no Quarto Anel Viário, hoje do Estado, ao Governo Federal, Cavalcante ressalta ser necessário discutir a remuneração do projeto. "Será que já chegou o momento que os preços estão realmente fora do mercado? Com preço fora de mercado ninguém quer fazer a obra. Creio eu que seja esse o motivo, porque todo mundo está atrás de obra hoje", pondera.

Ele ainda revela que alguns produtos encareceram, como o cimento asfáltico de petróleo (CAP), que teve um aumento de quase 250%, nos últimos dez anos. "Não tem jeito. Não tem nenhum órgão que dê um reajuste maior que isso", afirma Cavalcante. "O importante agora é discutir o problema, como resolver, como fazer para que as empresas possam estar produzindo".

Histórico

A licitação para duplicação da CE-155 foi finalizada em 2017, sob responsabilidade do extinto Departamento Estadual de Rodovias (DER). Após dois abandonos por parte das empresas vencedoras, o consórcio integrado pelas construtoras Locacon e Copa assumiu o projeto, que está com cerca de 15% de execução.

De acordo com a Superintendência de Obras Públicas (SOP), o investimento é de R$ 62 milhões, com recursos do Tesouro do Estado e do Governo Federal, provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é de conclusão até o início de 2021.

Já as obras do Anel Viário de Fortaleza começaram em 2010 e, pela previsão inicial, deveriam ter sido concluídas em 2012. Cerca de R$ 257 milhões em recursos federais já foram repassados para a obra.

Em dezembro, uma das empresas integrantes do consórcio que dava seguimento aos serviços, a construtora Souza Reis, entrou com processo de recuperação judicial. Em uma tentativa de resolver o problema, a Associação Empresarial das Indústrias (Aedi) protocolou um pedido de federali-zação da Rodovia Quarto Anel Viário no Ministério da Infraestrutura.

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