Morte de ministro levou o Governo a legislar a respeito

Dependendo da qualidade do ar, as pessoas ficam sujeitas à Síndrome do Edifício Doente (SED). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a SED consiste em um conjunto de características ambientais que levam de 15% a 30% dos ocupantes do prédio em questão a contrair doenças respiratórias.

A manutenção e a limpeza do sistema de ar condicionado central seriam suficientes para diminuir os problemas, assim como o monitoramento da qualidade do ar, melhorando a saúde dos trabalhadores de ambientes fechados.

O problema da qualidade do ar interior ficou conhecido nacionalmente com a morte do então Ministro das Comunicações Sérgio Motta, o que levou a Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde a baixar a Portaria Nº 3523/98, que estabelece normas e periodicidade para a limpeza, manutenção, operação e controle dos sistemas. Em 2000, a Resolução Nº 176/00 estabeleceu as normas para padrões da qualidade do ar interior.

No caso das centrais de ar-condicionado, o aparelho capta ar e o filtra antes de jogá-lo novamente no ambiente. O resfriamento é feito por serpentinas contendo gás refrigerante ou água gelada. Nesse processo, o ar é desumidificado. Em seguida, o ar refrigerado é jogado nos dutos de ventilação por um ventilador centrífugo de alta pressão. O problema, segundo especialistas, é o acúmulo de sujeira nos dutos.

O ar frio paralisa os cílios (pêlos) que revestem as paredes do sistema respiratório e são encarregados de jogar para fora as impurezas que entram junto com o ar que respiramos.

Assim, fungos, mofo, bactérias, vírus e ácaros permanecem no organismo livres para provocar doenças respiratórias de natureza alérgica. As doenças do aparelho respiratório são: sinusite, rinite, otite, amigdalite, faringite, bronquite, pneumonia, asma, gripes e resfriados.

Uma das principais doenças causadas por falta de manutenção do ar, a Legionelose, é transmitida pela bactéria Legionella Pneumophila, identificada em 1976, na Filadélfia, nos EUA, durante uma convenção de legionários em que 221 pessoas contraíram a doença e 34 morreram. A bactéria estava nos reservatórios do ar condicionado.

Infectologistas atestam que, no Brasil, a Legionella é mais disseminada do que se supunha há alguns anos, principalmente nos grandes centros urbanos. E é nos chamados “edifícios doentes” que se concentra. Ela e os fungos são apenas alguns dos microorganismos que habitam sistemas de ar condicionado sem manutenção.

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