Mina de Itataia vai gerar receita de até R$ 1 bi

Expectativa é que sejam gerados 800 empregos diretos nas obras de instalação, chegando a 1.200 nas operações

Canindé Prevista para começar a operar em 2017, caso todos os trâmites de licenciamento ocorram dentro dos prazos previstos, a mina de Itataia deve gerar uma receita anual de R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão.

A mina fica na confluências de Santa Quitéria, Itatira e Madalena FOTO: DIVULGAÇÃO

A estimativa de faturamento foi informada pelos representantes das empresas do Consórcio Santa Quitéria, durante o seminário de retomada do projeto de exploração da mina, realizado ontem em Canindé.

O urânio, por exemplo, deve alimentar a usina nuclear Angra III, no Rio de Janeiro. Já o fosfato e calcário atenderão os mercados do Ceará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Pará.

De acordo com o gerente de suprimentos da Galvani Fertilizantes, Ronaldo Galvani, o Brasil é o maior consumidor de fertilizante do mundo, mais ainda importa 50% do que utiliza. Com o funcionamento da mina, esse percentual deve cair para 40%. "Isso porque a produção de fertilizante no País vai crescer 10%. Assim, ficamos menos sujeitos às oscilações do mercado mundial", afirma. Ele adiantando que os lucros obtidos a partir da mina devem proporcionar uma arrecadação anual, no Ceará, de R$ 125 milhões de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Para Ronaldo Galvani, os lucros obtidos a partir da mina devem proporcionar uma arrecadação anual, no Ceará, de R$ 125 milhões de ICMS Foto: Alex Costa

A mina, descoberta em 1975, está localizada nas confluências dos municípios cearenses de Santa Quitéria, Itatira e Madalena, numa fazenda de 4 mil hectares. Na jazida, o urânio encontra-se associado ao fosfato, o que permite uma produção de 270 mil toneladas de fertilizantes e 200 mil toneladas de suplemento alimentar para bovinos, caprinos e ovinos por ano.

Segundo o coordenador das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) no Ceará, José Roberto de Alcântara e Silva, a mina tem um 1000 x 800 quilômetros. Nesse período de descoberta, foram dados 420 furos na mina, totalizando 90 mil metros de sondagem, além de 128 amostras coletadas e 1.279 metros de galerias subterrâneas para pesquisas. "Nossa expectativa é que cada licenças seja liberadas nos prazos previstos para que, em meados de 2015, possamos começar as obras de instalação.

Investimento

Com previsão de investimento de R$ 750 milhões, o projeto está sendo implantado pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e pela empresa paulista Galvani Fertilizantes, participantes do Consórcio Santa Quitéria. A expectativa é que sejam gerados 800 empregos diretos durante as obras de instalação, chegando a 1.200 mil no início das operações. Para o deputado federal Danilo Forte (PMDB-CE), coordenador da retomada do projeto de exploração da mina, o empreendimento beneficiará uma das regiões mais pobres do Estado. Um dos desafios para o sucesso do projeto, destaca, será o envolvimento de empresas, gestores públicos e, principalmente, o incentivo à capacitação da mão de obra local.

Conforme o parlamentar, o governo estadual, por meio da assinatura de um termo de compromisso, ficará responsável pela modernização da infraestrutura do entorno da Mina de Itataia, levando água, energia, comunicação e facilitando o acesso ao empreendimento.

Dentre as obras previstas estão a construção de uma via ligando a BR-020 à mina, além de uma adutora de 42 quilômetros, do Açude Edson Queiroz até a Lagoa do Mato, situada na propriedade onde se encontra a jazida. No que se refere à capacitação, o governo estará à frente da educação básica, capacitação e apoio tecnológico, estudo urbanístico e gestão de resíduos sólidos.

Além da comunidade e empresários, representantes do Conselho Estadual do Desenvolvimento Econômico do Ceará (Cede), do Banco do Nordeste e das prefeituras de Canindé, Caridade, Itatira, Madalena, Paramoti, Quixadá, Santa Quitéria e Tejuçuoca também participaram do seminário.

Etapas

O projeto de Itataia será implantado em duas fases. A primeira se dará durante os cinco primeiros anos de produção, de 2017 a 2021, caso seja obedecido o cronograma atual. Nesta primeira fase, a mina terá uma produção prevista de 180 mil toneladas anuais de fosfato e 1.200 toneladas/ano de urânio. Já a segunda etapa, que iniciará em 2022, seguirá até que os recursos da mina sejam exauridos. Deverão ser produzidos 240 mil toneladas/ano de fosfato e 1.600 toneladas/ano de urânio nesta etapa.

Os estudos protocolados no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a obtenção da Licença Prévia apontam cada etapa do projeto, desde o planejamento até a operação, além de detalhes, localização exata do empreendimento e aspectos ambientais, culturais e econômicos a ele associados.


RAONE SARAIVA
REPÓRTER
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