Malha aérea brasileira deve chegar a 27% da capacidade até julho

Retomada do setor de aviação e das cadeias correlatas deve enfrentar grandes desafios diante dos impactos econômicos que afetam o turismo de lazer e o turismo de negócios. Imagem do Brasil no exterior também é ponto crítico

Legenda: Empresa que administra o Aeroporto de Fortaleza estuda formas de compensação de perdas com a pandemia
Foto: FOTO: KID JUNIOR

Passados os dias mais críticos em termos de impactos da pandemia do coronavírus no setor aéreo, os voos devem ser retomados paulatinamente, chegando a 27% da capacidade no Brasil até julho, conforme projeção do presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz. "A crise, em seu momento mais agudo, provocou uma queda de 93% da demanda doméstica brasileira e de praticamente 100% da demanda internacional", disse ele ontem (30) durante o evento online Conexões do Turismo: Uma Nova Era, promovido pelo Visite Ceará Fortaleza Convention & Visitors Bureau.

Sofrendo fortemente os efeitos da propagação do vírus, a associação estabeleceu um bloco de 36 medidas em três fases com o objetivo de mitigar os impactos. "As coisas foram mais complexas no bloco de medidas demandadas ao Ministério da Economia, dentre as quais as de maior destaque são um pedido de empréstimo ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para os colaboradores", detalhou Sanovicz.

Participando do mesmo painel durante o evento, Andreea Pal, CEO da Fraport Brasil, concessionária do Aeroporto de Fortaleza, destacou as projeções da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) sobre a retomada das viagens. "É uma projeção mais realista e mostra que só voltaremos às projeções pré-Covid-19 em 2025", frisou, acrescentando que o mundo já enfrentou outras crises como a baixa provocada pelo atentado de 11 de setembro.

"Tivemos perda similar e, em seis meses ou um ano, voltamos à curva normal de desenvolvimento, mas a expectativa agora é que levará muito tempo para que sejam atingidas as projeções pré-Covid. Em 2023, 2024, devemos ter diferença de 10% a 20% entre as projeções e o que vamos atingir", disse Andreea Pal.

Recuperação de caixa

Com as aéreas sofrendo financeiramente, o retorno esperado pela concessionária foi momentaneamente frustrado. De acordo com Andreea Pal, o contrato de concessão permite uma recuperação da perda de caixa operacional. "Estamos conversando sobre como essa recuperação será feita, porque a gente precisa de dinheiro para os próximos meses", disse, citando as dívidas contraídas com o BNDES e com o Banco do Nordeste.

Andreea Pal pontuou ainda, provocada sobre possíveis alterações nas tarifas aeroportuárias, que "é uma decisão da Agência Nacional de Aviação Civil e do Governo sobre como a recuperação de caixa será feita", frisou. Andreea Pal ainda pontuou que, para além do medo do vírus, há o impacto econômico no bolso de quem costumava viajar com certa frequência. "A repercussão dessa crise ainda não está 100% clara. Muita gente vai perder o emprego e as empresas estão entrando em um modo de economia. Isso vai impactar em uma perda de passageiros e negócios e de lazer", disse ela.

Sobre as possíveis restrições à entrada de brasileiros na Europa, ela disse que a imagem que o Brasil tem na Europa não é boa. "Em muitos meses, não vejo como esse turismo pode ser lançado", avalia.

Para Eduardo Sanovicz, isso está vinculado à forma como o Brasil enfrentou a crise. "Será um desafio brutal reconstituir a imagem dos destinos". Ele também ressaltou que a pandemia provocará grandes mudanças no turismo de lazer e de negócios.