Mais acesso à tecnologia deve impulsionar uso de cartões no Ceará

Maior índice de bancarização deve elevar operações no Estado, segundo avaliam as empresas, uma vez que o principal componente do PIB cearense está no setor de serviços

Legenda: Na manhã de ontem (28), os executivos apresentaram o crediário no cartão, em São Paulo

Com cerca de 75% do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará concentrado no setor de serviços, base da indústria de pagamentos eletrônicos, o volume de compras feitas por meio de cartão de crédito, débito ou pré-pago deverá crescer acima de dois dígitos nos próximos anos, superando a média nacional. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Pedro Coutinho, a "bancarização", maior acesso popular a bancos e crédito, deverá favorecer esse movimento.

"A gente tem percebido um crescimento no Ceará nos mesmos patamares da região Nordeste, como um todo", disse Coutinho. A entidade não divulga dados por estado. "A região Nordeste, em algumas regiões, vem crescendo acima da indústria (de pagamentos eletrônicos), como na modalidade de débito". Segundo o presidente da Abecs, apesar da crise econômica, cujos reflexos estão ficando para trás, a região vem apresentando crescimento tanto na renda como na bancarização.

"Evidentemente, por conta da crise, a indústria cresceu um pouco menos nos últimos anos, mas a gente percebe nos números a pujança e a oportunidade de crescimento que a indústria tem no Nordeste", disse Coutinho, que destacou o uso de soluções inovadoras no Ceará. Quanto a meta da Abecs de fazer com que 60% dos pagamentos das famílias brasileiras sejam feitos com cartão até 2022, Coutinho diz que a associação irá trabalhar no incentivo do uso de meios eletrônicos e da redução do uso de papel moeda e de cheques. "Sem dúvida nenhuma o Nordeste será muito beneficiado dessa nova fase", disse o presidente da entidade.

Crediário no cartão

Ontem (27), a Abecs apresentou o crediário no cartão de crédito, como mais uma opção de financiamento. A nova modalidade, oferecida pelas empresas de meios eletrônicos de pagamento, permite parcelamentos mais longos ao consumidor e faz o repasse do valor da venda ao lojista em até cinco dias, em vez dos 30 dias usuais. A expectativa da entidade é de que, com o recebimento antecipado dos valores, os estabelecimentos tenham maior margem para oferecer descontos aos clientes.

"Hoje não existe estabelecimento que venda parcelado em até 36 vezes. Então nós estamos dando oportunidade para o consumidor ter mais uma alternativa para comprar com um prazo diferenciado, com a possibilidade de negociar o desconto", disse Coutinho. As taxas de juros, prazos de pagamento e eventuais descontos, no entanto, vão depender de cada estabelecimento. "Uma vez que a loja vai receber em cinco dias, ele deveria transferir para o consumidor final esse benefício no preço".

Para Vinícius Favarão, diretor do Bradesco Cartões, na medida em que o varejista passa a ter mais capital de giro ele poderá transferir ao consumidor os benefícios que terá com o recebimento do valor da venda em cinco dias. "É um incentivo ao lojista (oferecer essa nova linha de crédito", disse. Já Rodrigo Carneiro, diretor de produtos da Rede, ressalta que o cartão de crédito deixa de ser apenas um meio de pagamento para se tornar um instrumento de financiamento.

Segundo a Abecs, o emissor do cartão deve apresentar ao cliente até três opções de parcelamento, bem como os custos envolvidos na operação. As informações são definidas de acordo com a estratégia de cada empresa, além do perfil de risco e relacionamento do cliente. E as parcelas do crediário são lançadas nas próximas faturas, conforme a opção contratada. A concessão dessa modalidade está atrelada ao limite de crédito do cartão, que é restabelecido à medida que as prestações do crediário são quitadas.

*O jornalista viajou a convite da Abecs