Luxo hipermoderno é adquirir emoções

Legenda:
Foto: Neysla Rocha
Quando esteve no Brasil, há um ano, o filósofo Gilles Lipovetsky visitou a loja Daslu, ícone do mercado de luxo no Brasil, voltada para o público AA. Ele não se impressionou, considerando a loja como um hipermercado de grifes. Para ele, luxo é consumir emoções e não produtos.

O que pode ser considerado o símbolo máximo do luxo? Um helicóptero particular avaliado em US$ 1 milhão para olhar de cima, o congestionamento da hora do “rush” na cidade? Um guarda-roupa completo recheado com as marcas mais caras e famosas do mundo? Ou uma mansão em Paris, outra em Londres e uma mais adiante em Nova York? Nada disso. Para o filósofo francês Gilles Lipovetsky, 61 anos, o atual ícone máximo do luxo é conseguir “comprar” emoções.

Lipovetsky — autor do livro “O Luxo Eterno - Da Idade do Sagrado ao Tempo das Marcas” e do clássico sobre moda “O Império do Efêmero” (ambos da Companhia das Letras) — enumera como luxuosas, aquisições que passam bem longe daquilo que se pode comprar e guardar num cofre. O sul-africano Mark Shutleworth, que em 2002 pagou US$ 20 milhões para passar dez dias numa estação espacial, seria a maior representação desse “luxo moderno”.

O também autor de “Os Tempos Hipermodernos” (editora Barcarolla), esteve de passagem pelo Brasil há um ano. O filósofo participou de várias palestras e visitou ícones do luxo nacional, como a Daslu — que considerou uma mistura de luxo com hipermercado. “Porque não é de uma marca, tem tudo o que você quiser: carros, helicóptero, relógios”.

Gilles Lipovetsky afirmou que o grande problema não está no luxo, mas na educação. “É preciso armar os jovens para que possam encontrar um sentido para a existência que não seja unicamente ir à Daslu e comprar tal ou tal marca”, disse, à época, em entrevista exclusiva ao UOL Moda.

“Hoje, creio que o grande ícone do luxo é alguém gastar uma soma considerável unicamente por sensações. Não resta nada, não há nem mesmo um produto, ele fez algo unicamente para sentir. É um luxo emocional extremo, mas evidentemente nada democrático”, disse o filósofo. Para ele, “o futuro do luxo é esse: termos cada vez mais emoções substituindo produtos”. (SC)
Quero receber conteúdos exclusivos sobre negócios