Lojas de açaí triplicam no Ceará em 5 anos com franquias de marcas locais a partir de R$ 80 mil

Modelos diferentes, inclusão de sabores regionais e até expansão cearense chegando a 8 estados garantem a consolidação das marcas locais

Legenda: Para manter o negócio prosperando, a outra aposta é que as empresas estão incluindo outros produtos regionais no cardápio.
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Em quase toda esquina é possível ver uma loja que vende açaí em Fortaleza. O que é capturado facilmente pelos nossos olhos também se traduz em números, mesmo diante cenário fraco econômico atual. Em 5 anos, o número de lojas do ramo simplesmente triplicou, afirma Miriam Pereira, presidente do Sindicato das Indústrias de Sorvetes do Estado do Ceará (SindSorvetes). 

Ainda segundo Pereira, o comércio e a indústria consideram que esse nicho tem forte potencial no Ceará. "Sempre tem lojas novas e com muitas novidades. Os empresários estão inovando e oferecendo novos sabores, misturando o açaí com novos produtos saudáveis. É um dos setores que tem crescido muito no Estado", relata SindSorvetes.

R$ 80 mil
É o preço, em média, das franquias das marcas locais

Para manter o negócio prosperando, a outra aposta é que as empresas estão incluindo outros produtos regionais no cardápio.

“O produto principal já está consolidado no gosto cearense. Mas, hoje, destacam-se as empresas que agregam um complemento regional, oferecendo sabores como a tapioca ou a rapadura, além da qualidade do ambiente e do serviço, que são atributos determinantes na escolha dos consumidores”, acrescenta o professor da CDL, Randal Mesquita.  

Franquias de açaí na estratégia de expansão de marcas locais

Com o ritmo de crescimento acelerado do mercado de açaí, redes de marcas já consolidadas do Estado mantém a expansão por meio de franquias. Juntas, as marcas Maria Pitanga e Trevo têm mais de 70 estabelecimentos entre lojas e franquias no Ceará. 

Um dos segredos dessas empresas para continuar se destacando em meio a um cenário competitivo foi oferecer outros produtos regionais juntamente ao tradicional açaí.

Legenda: Açaí da Trevo tem produção própria e mira mercado do Sudeste.
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Trevo: açaí próprio e crescimento de 20% do negócio com expansão para 3 estados

Após investir no mercado de gelatos na Capital em 2014, a empresária Valéria Barros precisou se adaptar a mudanças no comportamento dos consumidores. “Com três meses da loja de gelatos [Gelateria Trevo], eu percebi que os clientes só vinham para a loja nos finais de semana. Nas pesquisas que fizemos, percebemos que os consumidores procuravam produtos mais saudáveis, por isso o açaí foi uma boa alternativa”, comenta.  

No mesmo ano, ela decidiu abrir um negócio no ramo de açaí, surgindo a Trevo Açaí. Hoje, já são 13 unidades - o “boom” do açaí foi crucial para expandir as franquias da marca. Só em 2018, houve um crescimento de 20% do negócio. 

A distribuição acontece para Rio de Janeiro, Teresina e Aracaju, além do Ceará. “Produzimos lá por ser um centro de distribuição mais fácil, porque ter indústria em Fortaleza não compensa”. São cerca de 300 pessoas que trabalham diretamente na produção.  

Após o período de transição das franquias, Barros também decidiu ter a sua própria produção de açaí, instalada em Belém do Pará, na região Norte do País, berço da fruta regional. “Iniciamos a produção em Belém quando começamos a expandir as franquias, porque nós entendemos que não tínhamos que ter preparação na indústria. E a partir de então, começamos a produzir o nosso próprio açaí”, pondera. 

20 franquias vendidas só no ano passado e expansão em 8 estados

Há quase dez anos, a Maria Pitanga teve sua primeira experiência no ramo de açaís com a compra de polpa da fruta para abastecer um restaurante, administrado pela família de Aline Ximenes, que hoje é diretora de marketing da empresa. Em 2013, com a abertura de seu segundo quiosque na Cidade dos Funcionários, o negócio se expandiu para lojas de self service próprias e franquias. 

R$ 1,9 milhão
Receita líquida da Maria Pitanga divulgado no balanço do ano passado

Hoje, a marca já possui 56 unidades franqueadas atuando no mercado cearense, das quais 20 foram vendidas no passado. Em 2018, 700 toneladas de açaí foram comercializados em todas as unidades a mais de 2 milhões de consumidores com operações no DF, Pernambuco, Maranhão, Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí, Paraíba e Sergipe.

Legenda: Em julho, mais duas lojas da marca serão inauguradas no Estado. 
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"Mas, agora, o que eu noto é que vão ficando os melhores. Você tem que se destacar naquilo que você faz de melhor. Porque açaí você faz e qualquer um vende. Mas de qualidade, com registro e certificado, são poucos”, aponta Ximenes. 

“Em 2013, a gente começou a ser visto pelo mercado no setor de franquias. Foi através do ‘boom’ do açaí que houve crescimento das franquias para nossa marca. Teve um ano que vendemos 28 franquias.

Em relação à geração de emprego das unidades, a diretora aponta que cada loja possui cerca de 4 ou 5 funcionários, dependendo do porte do espaço físico, do horário de funcionamento e de outros fatores internos de cada franqueado. 

“Todo mês eu faço o lançamento de novos produtos. Nós temos um grande diferencial no mercado porque temos o açaí tradicional, sem açúcar e outras linhas saudáveis, além de cremes regionais, como cupuaçu, carimbó e outros. Busco aprimorar cada vez mais os produtos e torná-los mais saborosos e atrativos para os clientes. Além de ações de marketing para atrair pessoas para dentro da nossa loja”, explica.