Isolamento tornará economia menos vulnerável, diz pesquisa

Apesar do forte impacto no curto prazo, medida é recomendada

Legenda: O isolamento social foi decretado pelo Estado desde o dia 20 de março
Foto: Foto: José Leomar

A economia cearense estará menos vulnerável aos efeitos econômicos da crise do novo coronavírus com a medida de isolamento social decretada pelo Estado, aponta a pesquisa "Vulnerabilidade da Economia Cearense à Covid-19". O estudo foi realizado pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) durante o último mês, quando surgiu o primeiro caso da doença no Estado.

O levantamento levou em conta um ano de efeitos da doença sobre a economia local, considerando que as repercussões irão perdurar mesmo após a pandemia ser superada.

"Com os cálculos, a gente percebeu que o efeito do isolamento causa uma vulnerabilidade econômica muito menor do que aconteceria em um cenário sem o isolamento, mesmo com os efeitos muito negativos no começo", aponta o professor e pesquisador Samuel Façanha.

A pesquisa considerou o rápido aumento do número de casos e o impacto disso na economia. "Mesmo considerando esse crescimento da vulnerabilidade abrupto no começo, em um tempo maior, o impacto do isolamento traz vulnerabilidade menor. Ele é a decisão correta, olhando por essa estimativa", enfatiza

Critérios

Dois critérios principais foram usados para avaliar o cenário: valor da produção e pessoal ocupado, o primeiro com teor econômico e o segundo com abordagem mais social. "Alguns critérios influenciam essa vulnerabilidade diante de cada setor, como o contato direto com a população e estratégias relacionadas à importação e exportação", explica.

Os critérios adotados não contemplam informais, já que, segundo o professor, não existem dados suficientes para mensurar o impacto.

Vale ressaltar que o estudo trata da vulnerabilidade econômica e não do impacto na economia, como explica Façanha. "A gente não mensura quando a economia vai perder, nesse âmbito as estimativas são frágeis e transmitem pouca confiabilidade", esclarece o professor.

A pesquisa foi realizada pela Uece, por meio do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) e do Laboratório de Gestão Inteligente de Cidades (LAGIC), vinculado aos Laboratórios Associados de Inovação e Sustentabilidade (LAIS).

A equipe já trabalhava com cálculo de vulnerabilidade econômica para outros tipos de eventos, como as manchas de óleo que apareceram no litoral, nos últimos meses do ano passado. 

O estudo exerce função comparativa entre as regiões e setores afetados com a crise do novo coronavírus.

“Esclarecemos quais são os mais frágeis e o quanto que um é mais frágil em relação ao outro. Isso pode ajudar os governos e outros setores da economia a decidirem nas suas tomadas de decisão.É um estudo de comparabilidade em relação a outras localidades do Estado”, conclui o pesquisador.

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