Isolamento influencia consumo e inflação fica negativa na RMF

Segundo IBGE, preços em geral caíram 0,12% em abril

Legenda: O economista Alex Araújo aponta que, com a política de isolamento social, vários estabelecimentos estão fechados, de forma que o consumo se restringiu ao essencial.
Foto: Helene Santos

A inflação na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) foi de deflação de 0,12%,  ou seja, queda real de preços. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), monitorado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), todos os grupos de despesas, com excessão de alimentação e bebidas, tiveram redução de preços.

Os artigos de residência (-2,48%) e transportes (-1,55%) foram os grupos que mais puxaram o índice para baixo no mês passado, seguidos de vestuário (-0,65%), comunicação (-0,49%), saúde e cuidados pessoais (-0,19%), habitação e despesas pessoas (ambos com -0,07%) e educação (-0,05%).

No sentido contrário, alimentos e bebidas apresentaram alta de preços de 1,67%.

O economista Alex Araújo aponta que, com a política de isolamento social, vários estabelecimentos estão fechados, de forma que o consumo se restringiu ao essencial. Segundo ele, o medo do desemprego contribuiu para reforçar essa restrição.

Ele lembra que, no fim de março, houve uma corrida aos supermercados para estocagem de produtos, demanda em excesso que puxou os preços dos itens de supermercado para cima e se refletiu ainda em abril.

"Houve um medo de desabastecimento, mas agora as pessoas já ajustaram e não existe mais essa pressão da demanda. A tendência é que, em maio, tenhamos uma queda no índice geral, incluindo em alimentação e bebidas", explica.

Ainda sobre a alta de preços dos alimentos no mês passado, o economista ressalta que, antes da pandemia, cerca de um terço das refeições eram feitas fora do lar. "As famílias estão consumindo mais em casa, e os preços para o consumidor são diferentes do que para atacado", acrescenta.

Conforme Araújo, as feiras públicas também interferem na oferta de produtos regionais, que compõe boa parte da cesta de consumo no Estado.

O comportamento do preço do petróleo no mercado internacional também é um dos fatores para a deflação. O economista esclarece que, com o excesso de produção disponível e a queda da demanda tem reduzido o preço do barril de petróleo, que influencia no valor dos combustíveis e, consequentemente, nos transportes e frete

Também relacionado ao mercado externo, Araújo revela não ser possível observar o impacto da cotação do dólar no momento, tendo em vista que ele se reflete mais em produtos industrializados e importados, cujas demandas estão baixas. 

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