Hub marítimo depende de novas rotas e ampliação de retroárea

O acesso a um grande número de rotas marítimas pode definir se o Porto do Pecém será um hub de cargas para as regiões Norte e Nordeste ou até mesmo para a América do Sul, avalia especialista

Classificada como prioridade pelo Governo do Estado, a consolidação do Porto do Pecém como um centro de conexões (hub) de cargas marítimas vai depender tanto de mais investimentos na infraestrutura física do empreendimento, como na ampliação da retroárea – onde são realizados os procedimentos aduaneiros – e na captação de novas rotas marítimas a partir do Porto, sobretudo para os Estados Unidos, Europa e Ásia.

“A vantagem é que estamos muito próximos ao Canal do Panamá e o desvio para os navios que vão da Europa para os Estados Unidos seria relativamente pequeno, se comparado com São Paulo ou Argentina”, explica Igor Pontes, doutor em Ciências de Gestão. “A estrutura de um hub vai depender do acesso a um grande número de rotas marítimas. E isso definirá se o Pecém será um hub para as regiões Norte e Nordeste ou até mesmo para a América do Sul”.

Mais capacidade
Além disso, Pontes estima que, para possibilitar a operação do terminal como um hub, movimentando cargas de longo curso e sua distribuição por cabotagem, o Porto do Pecém teria de ampliar a capacidade de movimentação para, pelo menos, 50 milhões de toneladas anualmente. Hoje, o terminal cearense movimenta cerca de 20 milhões de toneladas por ano. “Existe essa possibilidade, mas a infraestrutura precisaria ser readequada para se tornar um hub de cargas”, diz Pontes, que irá participar de um ciclo de palestras promovido pela Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Aecipp), hoje (21), no qual abordará o tema Constatações empíricas sobre o desempenho de zonas industriais e portuárias (ZIPs).

Parceria com Roterdã
O estudioso considera que a parceria da Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém S.A (Cipp S.A) com o Porto de Roterdã deverá facilitar a captação de novas rotas, uma vez que a autoridade holandesa já opera com os principais armadores do mundo. 

Você tem interesse em receber mais conteúdo de negócios?