Gerdau planeja dobrar a produção da Silat, gerando 150 empregos

Com a confirmação de compra da fábrica em Caucaia na terça (1º), a Gerdau já projeta elevar o nível de produção da unidade de 15% para 30%. A empresa também deverá manter a sociedade com o Governo do Estado

Após ter a operação de compra confirmada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por US$ 110,8 milhões, a Gerdau já trabalha nos planos de ampliação das operações da fábrica da Silat em Caucaia. Marcos Faraco, vice-presidente da Gerdau Aços para o Brasil, Argentina e Uruguai, disse em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares que os planos para o próximo ano incluem dobrar a produção da unidade, gerando pelo menos 150 novos empregos diretos no Ceará.

Inicialmente, o executivo confirmou que os planos da Gerdau para a Silat não deverão incluir novos investimentos na planta atual, considerando que a unidade trabalha com uma considerável ociosidade da capacidade instalada. Hoje, o nível de produção da Silat é de apenas 15% do total, mas o objetivo é elevar o patamar para 30% em 2021.

E é a elevação do nível de produtividade que deverá puxar a necessidade de ampliar o quadro de funcionários, que, atualmente, conta com cerca de 230 colaboradores diretos e indiretos.

"É um equipamento muito moderno e queremos usar a capacidade dele. A Silat opera com cerca de 15% do equipamento e queremos dobrar o uso da capacidade instalada, então temos uma perspectiva de geração de empregos boa para a região. Temos 230 pessoas e acreditamos que deveremos aumentar a mão de obra em pelo menos em 150 novos postos diretos em 2021", explicou Faraco.

Além disso, segundo o executivo da Gerdau, a Silat passará a ser o maior polo produtor de aço nas regiões Norte e Nordeste, fazendo com que a empresa use o projeto como uma "plataforma para sustentar o crescimento local nos próximos dez anos".

"Tínhamos algumas coisas em mente quando decidimos fazer essa operação com a Silat, entre elas que nós acreditamos muito no crescimento do mercado no Norte e Nordeste, focado no mercado doméstico. Outro ponto é que nós já temos uma operação aí no Ceará, mas que estava perto do limite, e o investimento na Silat visava a expandir essa nossa operação na região", disse.

Construção civil

Faraco também confirmou que os planos da Gerdau deverão focar no abastecimento de insumos de aço e ferro para o mercado de construção civil brasileiro, fazendo das exportações, inicialmente, algo não muito substancial. "Temos essa operação no Ceará, uma em Pernambuco e, olhando para frente, nosso plano de investimento vai passar pela plataforma do Ceará. É a nossa plataforma de crescimento. A gente tem mantido contato com as construtoras do Ceará e todas as mensagens são de boas vindas pela disponibilidade de produto que nós vamos inserir no mercado nacional", comentou Faraco.

Durante a pandemia do novo coronavírus, empresários da construção civil têm relatado uma alta de preços de insumos, como tijolos e placas de aço, pela alta da demanda aliada à redução dos níveis de produção de fábricas no Brasil como um todo pelas restrições de movimentação.

Sociedade

O vice-presidente da Gerdau ainda comentou que a empresa não possui planos, no momento, de adquirir a porcentagem (3,65%) das ações da Silat que, hoje, são propriedade da Agência de Desenvolvimento Econômico (Adece) do Governo do Estado do Ceará. Faraco disse que a Gerdau está "muito satisfeita" de trabalhar com o Estado como sócio.

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