Francesa Veolia cuidará do reúso de água no Cipp

O governador Camilo Santana ressalta que a escolha da empresa foi feita por meio de chamamento público

Legenda: A parceria prevê tratamento de água, de esgoto industrial e de esgoto sanitário e sua transformação em água para fins industriais, explica a Cagece
Foto: Foto: José Leomar

A água e o esgoto de Fortaleza serão tratados e reutilizados nas atividades do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), localizado no município de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana. O investimento, cujo valor ainda não foi revelado, será 100% privado e feito pela multinacional francesa Veolia Environment, que atua em áreas como gestão de águas, resíduos sólidos e energia.

A expectativa é que o contrato entre a multinacional e o Governo do Estado seja assinado até o fim deste ano. De acordo com o governador Camilo Santana, a escolha da empresa foi feita por meio de chamamento público, que é utilizado como instrumento de prospecção de mercado.

"Todo o investimento será privado, o Estado vai dar a garantia, durante um período, da compra da água. Atualmente, quem fornece a água para o setor industrial do Ceará é a Cogerh (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos). O formato do negócio e os estudos já foram feitos, foi feito o chamamento público e a empresa ganhou. É um novo modelo que o Estado vai experimentar na área do reúso da água", adiantou Camilo, informando que o projeto conta com a parceria da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

Emprego e renda

Embora não esteja diretamente ligado ao Programa de Concessões e Parcerias Público-Privadas do Estado, o investimento da Veolia Environment é visto por Camilo como um exemplo de que a oferta de equipamentos públicos à iniciativa privada é capaz de atrair novos negócios.

"Queremos gerar mais oportunidades de emprego e renda, dentro do potencial que o Estado já tem, em dois eixos. Um deles em cima dos ativos e outro naquilo que podemos prospectar", acrescenta o governador.

Formação de sociedade

Em nota, a Cagece informou que criou, em parceria com a Veolia Environment e a construtora PB Engenharia, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) chamada Utilitas Pecém. A SPE S corresponde a uma sociedade com as mesmas características do consórcio, porém, com personalidade jurídica, formada para a execução de determinado empreendimento.

Água industrial

Segundo a Cagece, o objetivo do projeto "é a implantação e operação de infraestrutura para tratamento e fornecimento de água industrial, coleta, tratamento e disposição de esgoto industrial e de resíduos sólidos industriais, bem como tratamentos complementares e negócios conexos para as indústrias localizadas no Cipp", diz a companhia.

Embora o governador já tenha sinalizado a assinatura do contrato com a Veolia Environment, a Cagece destaca que o projeto ainda está em fase de estudos. Conforme a companhia, a parceria "prevê tratamento de água e/ou esgoto industrial e/ou esgoto sanitário e sua transformação em água industrial, dentre outros serviços correlatos à atividade industrial, especialmente em relação ao manuseio, tratamento e disposição final de resíduos industriais".

Alternativa

Para o secretário de Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, a parceria com o grupo francês, que tem expertise em reúso de água, é muito importante para o Estado do Ceará, fundamentalmente para a Região Metropolitana de Fortaleza.

"Cria mais uma alternativa de fornecimento de água para o Estado. Isso faz com que se possa levar água de uma fonte alternativa não convencional, que seria o reúso, para o atendimento do suprimento da população. Representa o aumento de garantia substancial, principalmente se aproveitar 100% do esgoto que hoje é jogado no mar", ressaltou Teixeira.

O secretário de Recursos Hídricos enfatiza ainda que hoje joga-se em média 2,5 metros cúbicos por segundo, de esgoto no mar, isto representa mais de 20% da demanda da Região Metropolitana de Fortaleza.

"Em uma região de semiárido, como a nossa, nós não podemos jogar água fora, nem o esgoto, por dois motivos: o primeiro é que o esgoto, mesmo tratado, jogado em rios não permanentes, cria um problema de qualidade para o meio ambiente. Por outro lado, ao jogar o esgoto fora, eu estou perdendo água, que recebendo o tratamento certo, pode ser reutilizada", conclui.

Demanda

Atualmente, a demanda do setor industrial cearense é da ordem de 3 milhões de m³ de água ao mês, de acordo com a Cogerh. A bacia hidrográfica onde existe o maior consumo de água para a indústria é a Metropolitana, seguida pela do Baixo Jaguaribe, Acaraú e Salgado. Cerca de 10% de todo o volume consumido nessas bacias são destinos ao abastecimento industrial.

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