Falta de mão de obra qualificada reduz produtividade na indústria

Segundo pesquisa do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), faltam profissionais capacitados em mais da metade das empresas (66%). Área técnica de produção é a mais defasada

Apesar de estar melhorando, a falta de mão de obra qualificada ainda afeta diretamente os indicadores das indústrias cearenses. Levantamento do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), revela que 66,3% das empresas tiveram a produtividade restringida por conta da falta de capacitação dos colaboradores.

A qualidade dos produtos fabricados é outro gargalo associado ao problema, sendo uma questão para 59,1% das indústrias no Estado. "A maioria das empresas apresentou restrição no aumento da produtividade e na qualidade dos produtos. Ou seja, se tivesse disponibilidade maior de mão de obra qualificada, esses pontos melhorariam", explica Eduarda Mendonça, pesquisadora do Observatório da Indústria da Fiec.

Ela ainda lembra que os dois pontos são importantes neste momento pós-pandemia e de retomada econômica. No geral, 51% das empresas sofreram coma falta de disponibilidade de mão de obra qualificada em 2019, número dez pontos percentuais menor que o observado em 2013, quando o problema atingiu 61% das empresas.

Porte

Ainda segundo o levantamento, as pequenas indústrias são as que mais têm dificuldade para contratar funcionários com conhecimento adequado para a função, situação relatada por 55% das empresas desse porte. Em seguida, aparecem as grandes empresas (50%) e as médias (48%).

Em termos de áreas, os técnicos de produção são aqueles com menor disponibilidade no mercado de trabalho cearense, assim como engenheiros, operadores de produção, profissionais de pesquisa e desenvolvimento, de gerência, de vendas e marketing, e de administração.

Com o objetivo de driblar o problema, 63% das indústrias têm investido em capacitação na própria empresa; 45% na capacitação em outras instituições; e 23% na contratação de profissionais de outras regiões do Brasil.

"É uma situação muito prejudicial para o mercado de trabalho local, porque se tivesse maior oferta de mão de obra adequada no Estado não seria necessário a contratação de pessoas de fora", diz Eduarda.

A pesquisa também revela que 57% das indústrias veem o pouco interesse dos trabalhadores como um ponto prejudicial para a qualificação, bem como a má qualidade da educação básica (55%) e o custo elevado dos cursos (49%).

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