Estado negocia para ter centro de distribuição e fábrica da Toyota

Tratativas, inicialmente, visam confirmar a instalação do centro de distribuição de peças importadas para as regiões Norte e Nordeste. A confirmação veio de Maia Júnior, secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará

Legenda: Planos do Estado com a Toyota deverão focar em fábrica de veículos híbridos e elétricos

Satisfeito com o desempenho de atração de investimentos nos primeiros sete meses de 2019, o secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará, Maia Júnior, confirmou, ontem (13), que o Governo do Estado está caminhando na negociação para ter um centro de distribuição (CD) de peças da Toyota, nos próximos anos no Ceará.

Mas o plano deve ir além. Segundo Maia Junior, as tratativas ocorrem para que o Ceará possa receber investimentos posteriores da montadora japonesa para um CD de veículos importados para todo o Brasil, ainda com a possibilidade da instalação de uma fábrica no Estado. Segundo o secretário, o Governo e a empresa terão, nas próximas semanas, a terceira reunião para ajuste de um acordo comercial.

A explicação dos planos veio durante a participação de Maia Júnior na palestra "Desafios da iniciativa privada e setor público no desenvolvimento do Estado do Ceará", realizada no Sebrae pelo Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), evento apoiado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef). O secretário também destacou outros esforços do Estado para atrair investimentos privados.

"Estamos conversando com a Toyota e estamos indo para a terceira reunião de trabalho. O projeto inicial é começar com um centro de distribuição para Norte e Nordeste de peças importadas e nacionais. Mas temos outras etapas em que podem sair também um centro de distribuição de importação de veículos aqui no Ceará. Seria o passo inicial de uma estratégia de chegar em uma fábrica de veículos, que nós estamos discutindo", disse Maia Júnior.

O secretário ainda destacou que a montadora deverá focar os planos em veículos híbridos e elétricos. Maia ressaltou ainda investimentos no Ceará de empresas como Votorantim, que inaugurará uma fábrica em novembro; um centro de distribuição da Avon; a ampliação das linhas de produção de aerogeradores da Aeris Energy; e uma fábrica da Vestas. Ele também confirmou negociações com a Ambev e a Troller.

Investimentos

O secretário, contudo, destacou que não será possível garantir o desenvolvimento da economia do Nordeste, reduzindo a diferença regional com o Sul e o Sudeste do País, sem um forte plano de investimentos do Governo Federal.

Também afirmou não acreditar que a iniciativa privada sozinha conseguirá reverter o quadro de estagnação da economia nacional, considerando o cenário de privatizações que vem sendo projetado pelo Governo Federal a partir do mandato de Jair Bolsonaro.

"É impossível que tenhamos uma taxa de crescimento no Nordeste sem que o Governo Federal tenha uma forte intervenção. A iniciativa privada duplica uma rodovia em Anhaguera e consegue render porque tem volume. Mas vá duplicar estradas no Ceará, mesmo a CE-040 não tem volume. As pessoas falam da Fraport, mas e o remanescente? Herdar um aeroporto que já movimentava 5 milhões para viabilizar uma concessão é uma coisa. Precisamos de um plano de desenvolvimento do Governo Federal", disse Maia.

Planejamento

Geraldo Luciano Matos Júnior, vice-presidente de Investimentos e Controladoria do Grupo M. Dias Branco, que também participou do debate, afirmou que o Poder Público, contudo, precisa rever a forma de lidar com a iniciativa privada para desenvolver o ambiente negócios e reduzir custos aos empresários, além de minimizar burocracias. "A gente precisa facilitar a vida das empresas. Essa é a única maneira de se gerir os empregos necessários para resolver os problemas do País", disse.


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