Estado negocia com pelo menos dois novos produtores de melão

O mercado de exportação da fruta no Ceará recebeu um novo destaque após um acordo bilateral firmado entre Brasil e China. Apesar da perspectiva positiva, o Estado ainda enfrenta problemas de logística

Legenda: Segundo estimativas da Sedet, o Brasil produz cerca de 20 mil hectares de melões. A China produz mais de 430 mil
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

Com a abertura do mercado cearense de exportação para a China, o Estado entrou no mapa para investidores externos. Segundo o secretário executivo do Agronegócio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), Silvio Carlos Ribeiro, dois empresários do ramo de frutas procuraram a administração estadual para negociar possíveis aportes. A origem desses investimentos, no entanto, não foi revelada, mas teriam como foco o mercado de melões para exportação.

O interesse dos investidores para trazer novos negócios ao Ceará se deu após Brasil e China firmarem um acordo bilateral para possibilitar a negociação do melão. A procura é por áreas no Estado propícias a receber a estrutura de plantio da fruta, que depende de um bom suporte e abastecimento de água. "Quando abriu o mercado para a China, eu recebi dois investidores já querendo áreas no Estado, e o principal problema no Estado é a questão da água", disse Silvio.

"Mas temos uma boa perspectiva de oferta de água no futuro, com a transposição do São Francisco e outras obras que estamos articulando, sobre portos", completou o secretário executivo da Sedet.

Contudo, o mercado cearense ainda possui algumas dificuldades para evoluir no setor de exportação de frutas. Entre os principais pontos, Silvio Carlos destacou o gargalo gerado pelas dificuldades logísticas enfrentadas por empresários locais, que ainda sentem dificuldade na preparação e no envio dos insumos à China.

"A expectativa da China de exportação é um coisa real e já está acontecendo, as negociações estão sendo feitas, mas o gargalo ainda é logístico, de levar um navio para China com uma programação só de frutas. Esse trabalho já está sendo articulado pela Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas) e grandes produtores do Ceará. Eles já estão em negociação com compradores chineses", disse Silvio.

Potencial

Apesar das dificuldades logísticas apresentarem uma barreira para o desenvolvimento do setor, Silvio Carlos ponderou que esse fator pode acabar apresentando, também, uma ótima oportunidade para a entrada de novos investidores.

"Além do próprio mercado de produtores de frutas, novos investidores estão querendo vir para o Ceará para trabalhar essa questão logística com essa expectativa, de melhorar o setor como um todo. É um mercado fabuloso", afirmou o secretário executivo.

Ele ainda destacou a grande demanda do mercado chinês por melão, mesmo o país asiático dedicando mais de 430 mil hectares para a produção da fruta. "O Brasil produz 20 mil hectares de melão e a China produz 430 mil hectares e ainda querem comprar mais, isso é bom para gente", disse.

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