Empréstimos às empresas têm queda pelo segundo mês seguindo e diminuem 6,1% em maio

Já as famílias tomaram 1% a mais de empréstimos em maio em relação ao volume emprestado abril. A variação foi registrada na série com ajuste sazonal, que retira peculiaridades do período

Legenda: O Copom se reúne a cada 45 dias para definir a Selic, buscando o cumprimento da meta de inflação.
Foto: Foto: Arquivo/Diário do Nordeste

Mesmo com as medidas do BC (Banco Central) e do governo para destravar crédito para empresas, pelo segundo mês seguido houve queda na concessão de novos empréstimos para pessoas jurídicas, com redução de 6,1% em maio. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo BC.

Já as famílias tomaram 1% a mais de empréstimos em maio em relação ao volume emprestado abril. A variação foi registrada na série com ajuste sazonal, que retira peculiaridades do período, como número de dias úteis a mais ou a menos, para facilitar a comparação.

As concessões de novos financiamentos tiveram queda de 3,3% no mês. Em abril, as empresas tinham recebido 21,1% menos empréstimos e as famílias, 13,2%.

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, explica que a dessazonalização atenua volatilidades excessivas de um certo período. A autoridade monetária analisa séries mais longas com a finalidade de identificar discrepâncias e faz o ajuste.

Com a crise, no entanto, há dificuldades para ajustar flutuações bruscas. "Mesmo depois da dessazonalização, as taxas se mantêm muito voláteis. Por isso, destaco a importância de se comparar também números absolutos, não só as variações no mês", justificou.

Os bancos concederam R$ 143,4 bilhões em novos empréstimos no mês às empresas, 5,3% abaixo do volume registrado em maio de 2019, de R$ 151,5 bilhões.

No acumulado do ano, comparado ao mesmo período do ano anterior, no entanto, as concessões totais (empresas e famílias) cresceram 7,6%, com alta de 17,7% para pessoas jurídicas e queda de 0,9% para pessoas físicas.

O estoque de crédito fechou maio com R$3,6 trilhões, alta de 0,3% no mês. O saldo aumentou 0,7% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,6 trilhão) ficou estável para as famílias (R$2 trilhões). Em 12 meses, o crescimento da carteira foi de 9,3%, com aumento de 10,3% para empresas e 8,5% para as famílias.

Novos empréstimos em modalidades ligadas ao varejo cresceram no mês. Antecipação de recebíveis, por exemplo, cresceu 15,6% em relação a abril. Desconto de duplicatas teve leve alta de 0,7% no mês.

Os números são resultado da flexibilização do isolamento social em algumas cidades. Essas modalidades dependem das vendas para gerar garantia.

Com o comércio fechado, em abril, esse tipo de crédito tinha sofrido redução drástica, de 61,6% para antecipação de recebíveis e 44,1% para desconto de duplicatas.

Em compensação, as concessões de crédito para capital de giro caíram 25,9% no mês, com prazo abaixo de um ano, a redução foi de 40,3%.

O valor de novos empréstimos na modalidade, no entanto, ficou acima da média dos meses anteriores à crise, com R$ 33,1 bilhões. Em fevereiro, por exemplo, eram R$ 15,6 bilhões.

"Capital de giro, no saldo, responde por cerca de um terço do crédito total para pessoas jurídicas", destacou Rocha.
Segundo ele, as demandas por esse tipo de crédito estão sendo atendidas, mas não integralmente.

"O aumento no volume de concessões dessa linha mostra que as empresas estão acessando capital de giro, mas, em nenhum momento da conjuntura, todas as demandas que são feitas são atendidas", explicou.

Novos empréstimos relacionados ao comércio exterior também despencaram em maio. O financiamento às exportações diminuiu 10,9% e às importações, 25,5%. O ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio) diminuiu 17,3%.

Por conta da valorização do dólar, houve aumento muito grande dessas linhas em março.

"Ainda assim os níveis estão bem acima do observado antes da crise", pontuou o técnico do BC.

Os dados mostram que as famílias consumiram mais no período. O uso de cartão de crédito aumentou 10,5% na modalidade à vista, em que o consumidor paga o valor total da fatura.

Também houve alta de 12,6% no rotativo regular, no qual o usuário paga mais que o mínimo da fatura mas menos que o valor total.

Já em cheque especial e crédito pessoal (não consignado), houve queda de 10,9% e 10,6%, respectivamente.

No crédito livre, em que são cobradas taxas de mercado, a média de juros atingiu 29,5% ao ano, com queda de 1,8 pontos percentuais no mês e 8,4 pontos nos 12 meses.

Para as famílias, os juros atingiram 42,7% ao ano, redução de 1,9 pontos no mês. A queda foi puxada por modalidades ligadas ao consumo, como cartão de crédito rotativo regular, aquele que o consumidor paga acima do mínimo da fatura, mas abaixo do valor total, com -25,1 pontos e cartão parcelado (-10,3 pontos).

As empresas também tiveram redução na taxa de juros, em 1,5 ponto.

O spread - diferença entre a taxa que os bancos pagam para captar recursos e a taxa cobrada em empréstimos - caiu 0,8 ponto percentual no mês e 2,4 ponto percentual nos últimos 12 meses.

Base monetária

A base monetária, que é a quantidade de dinheiro na economia, atingiu o maior patamar da série histórica, com R$ 368,1 bilhões em maio, crescimento de 9,3% no mês e de 32,5% em 12 meses.

No mês, o papel-moeda emitido cresceu 8,2% e as reservas bancárias, 16,4%.

Segundo o BC, as operações do Tesouro Nacional contribuíram com acréscimo de R$ 108,2 bilhões na base monetária.

O jornal Folha de S.Paulo mostrou que o auxílio emergencial aumentou a demanda por cédulas.

Para tentar supri-la, o BC pediu que a Casa da Moeda entregasse 60% do total contratado para 2020 até julho, cerca de R$ 38 bilhões. O total contratado para o ano é o equivalente a R$ 64 bilhões em novas notas.

Com isso, a base monetária atingiu o maior valor da história.



Redação Há 1 hora