Empresário reclama falta de incentivo

Escrito por Redação,

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Foto: Everton Lemos
“Vivo com o que ganho aqui e não com dinheiro de fora”. A afirmação é do italiano, Sergio Ariu, proprietário de uma pousada em Canoa Quebrada. Depois de conhecer vários Estados brasileiros, como turista, o italiano resolveu investir naquela praia. Seu primeiro negócio foi um bar, na rua principal. “Não teve burocracia”, lembra, o que aconteceria depois quando foi construir seu empreendimento atual. “Não contei com incentivos do governo”, disse, afirmando que até energia elétrica teve que levar ao local. Por isso, o empresário admite: “Não é fácil e um investidor tem muito o que fazer”. A falta de incentivo faz com que muitas pessoas procurem outros locais.

O italiano, que vive em Canoa há seis anos, casado com brasileira, não se queixa da burocracia, “tem que ter”, reforça. Porém, acha que os estrangeiros não são orientados. Muitas vezes, são atraídos para montar um comércio e não são bem informados sobre o que podem ou não fazer, comenta. Confessa que, hoje, não voltaria a fazer esse investimento, mas admite que vale a pena morar em Canoa Quebrada. “Gosto do lugar e muitos europeus gostariam de morar aqui”, diz, esclarecendo que trabalha mais aqui do que trabalharia na Europa. Sua carga de trabalho em Canoa vai das seis da manhã até 1 hora da madrugada.

Sergio Ariu confessa que nunca se sentiu explorado aqui por ser estrangeiro. “Não sou criança”, responde. Sem dizer quanto investiu, mas garante: “Não paguei barato”. Entretanto, alerta que o essencial não é apenas ter dinheiro. “A pessoa para investir em Canoa preciso ser aceita pela comunidade, ter um comportamento humilde e se adaptar ao modo de vida dos nativos. Não tentar pisar em cima deles”, orienta.

O investidor reconhece também os limites de Canoa Quebrada onde falta mão-de-obra qualificada em termos de hotelaria e atendimento ao turista. Os cursos são dados em Fortaleza, sendo difícil o deslocamento. Considera como ponto negativo nessa transformação de Canoa Quebrada, de vila de pescador a um pólo turístico, a idéia passada à população de que é muito fácil ganhar dinheiro. Muitos não querem estudar, não fazem nada. Apesar disso, ele diz que não teve problema de adaptação (I.S).


Allisson Martins

O Agronegócio e os Derivativos

Allisson Martins
24 de Maio de 2022