Economistas cearenses estão menos confiantes no primeiro bimestre

Pesquisa divulgada hoje (12) revela que a baixa mais expressiva foi observada nas expectativas em relação ao futuro da economia (-4,6%)

Legenda: No primeiro resultado de 2020, dos nove segmentos investigados para a composição do índice, três apontaram pessimismo: taxa de inflação (90,4 pontos), salários reais (85,4 pontos) e taxa de câmbio (72,7 pontos)
Foto: Foto: José Leomar

Após resultados positivos nos últimos três bimestres, os economistas do Ceará voltaram a demonstrar pessimismo em relação à economia em janeiro e fevereiro de 2020. O Índice de Expectativas dos Economistas (IEE), que mede o sentimento dos especialistas para a economia brasileira marcou 115 pontos, uma redução de 2,7% em relação ao bimestre de novembro/dezembro de 2019, quando o indicador chegou a marcar 118,2 pontos.

A pesquisa é realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE) em parceria com o Conselho Regional de Economia (Corecon-Ce) e foi divulgada nesta quarta-feira (12).

No primeiro resultado de 2020, dos nove segmentos investigados para a composição do índice, três apontaram pessimismo: taxa de inflação (90,4 pontos), salários reais (85,4 pontos) e taxa de câmbio (72,7 pontos). Os itens são classificados pelos especialistas com notas que variam de 0 a 200 pontos. Abaixo de 100 pontos configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo.

Para Ricardo Eleutério, economista e conselheiro regional do Corecon, a leve redução do otimismo está ligada à alta do dólar neste início de ano. "A gente já teve neste começo de ano uma alta de dólar, mais que o dobro do ano passado e isso termina gerando uma pressão inflacionária, pesando no preço dos produtos importados e dos combustíveis, que acompanham o preço do dólar. Então essa pressão maior foi capturada pela pesquisa", comenta.

Otimismo

O economista comenta que a percepção dos entrevistados sobre a macroeconomia "continua em um patamar otimista, mesmo com um pequeno recuo" e que ao longo do ano, o esperado é que os índices apresentem melhora.

"A gente deve ter um ano melhor na comparação com 2019. Nós devemos ter uma taxa de crescimento girando em torno de 2%, apesar de ainda ser muito aquém do que o País precisa, pois passamos muitos anos em recessão", avalia.

Ficaram no patamar considerado otimista na pesquisa os segmentos evolução do PIB (161,6 pontos), oferta de crédito (146 pontos), nível de emprego (139,4 pontos), taxa de juros (119,2 pontos), gastos públicos (117,2 pontos) e cenário internacional (103,5 pontos).