Descentralização é importante para o comércio

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A crescente ebulição de polos comerciais nos bairros mais afastados poderia ser vista como negativa para varejistas do Centro, já que as pessoas passam a encontrar produtos e serviços bem mais perto de suas casas, evitando assim perda de tempo, custo com transporte e deslocamento desnecessário. Todavia, para a Câmara de Dirigentes Lojistas do Município (CDL Fortaleza), o efeito é outro completamente diferente.

"Não há concorrência. O Centro não cai. Claro que ainda é bem mais completo. Pois, já existe a demanda fixa de compras. Porém, não comporta mais gente. Daí, a importância de diversificar em pequenos centros alternativas em outro locais", analisou o presidente da CDL Fortaleza, Freitas Cordeiro.

Ponto de convergência

Na opinião dele, é muito gratificante verificar como um bairro, paulatinamente, vai se tornando ponto de convergência do comércio para ele mesmo e para outros conglomerados vizinhos. "A gente se surpreende positivamente cada vez que sai pelos bairros e vê essa pujança que advém da própria expansão da mobilidade da Capital. E essa manifestação não é nova. Já vem acontecendo há algum tempo, e termina sendo uma solução, contrariando o pensamento inicial de quem acha que isso é um problema", ratifica.

Ramificações

O interessante é que no Centro há uma segmentação de tipos de comércio subdivididos de acordo com as ruas. Prova disso é a Rua Pedro Pereira, conhecida pelo setor eletrônico e de revenda de lustres e componentes elétricos. E isso repercute também em trechos de algumas vias da periferia. É o caso, por exemplo, da grande quantidade de revendedores de autopeças para veículos na Avenida Coronel Carvalho, no Jardim Iracema; da Avenida Alberto Magno, no Montese, onde há cerca de 60 lojas de aluguel de vestido de noivas; e da Avenida Almirante Rufino, no bairro Vila União, onde existe um bem estruturado polo de confecção.

Opções em um só lugar

"É interessante como ocorre. Começa com apenas um lojista que se instala e começa a fazer sucesso. Ele acaba funcionando como uma espécie de locomotiva que vai trazendo outros comerciantes do mesmo ramo a reboque. No fim, acaba sendo bom para todo mundo, inclusive, para o cliente, que em um só lugar encontra várias opções de mercadorias e preços", avalia, lembrando que este fenômeno não é planejado. "Acontece naturalmente. Nada é programado", complementa Freitas.

Para ele, os setores de confecção, móveis, artigos para o lar, linha branca, calçados e eletroeletrônicos estão se fortalecendo no subúrbio. "A gente observa também as imobiliárias que estão migrando para os bairros, além de shoppings e supermercados. Tem a ver com o fato de acompanhar pra onde a Cidade está crescendo", diz o presidente da CDL Fortaleza. (ISJ)
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