De saúde e tecnologia às artes: as profissões promissoras pós-pandemia

Áreas de atuação relacionadas à tecnologia, marketing digital, saúde e até mesmo atividades culturais apresentam tendência de alta em cenário pós-pandemia, avaliam especialistas. Saiba como se preparar

A pandemia do novo coronavírus está provocando mudanças profundas nos mais diversos aspectos da vida humana. Com o mercado de trabalho - que já vinha passando por transformações, algumas aceleradas pelo isolamento social - não é diferente. Enquanto a maioria das áreas de atuação amarga dias difíceis, alguns segmentos se fortalecem, criando tendências de alta para as profissões relacionadas, o que deve impulsioná-las ao fim da crise.

Com as determinações dos governos municipais e estaduais de isolamento social para frear a disseminação do vírus, as vendas online, junto ao delivery, tornaram-se a principal modalidade de funcionamento do comércio durante a pandemia. Em consequência, toda a cadeia interligada ao e-commerce tem se beneficiado do crescimento forçado.

A superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL Ceará), Dana Nunes, ressalta o choque que a pandemia tem causado na oferta e demanda dos setores, modificando o padrão de compra do consumidor e a forma como as pessoas trabalham. "Com o teletrabalho, acentua-se a necessidade de os profissionais dominarem recursos tecnológicos, e eleva-se a demanda por produtos digitais, fazendo com que as profissões ligadas à tecnologia recebam novo impulso, mesmo em uma situação de crise econômica", aponta.

Ela ainda revela que a perspectiva é que profissões relacionadas à saúde física e mental estarão em ascensão, bem como aquelas relacionadas ao bem-estar em geral. Nunes ainda projeta que ofícios ligadas à sustentabilidade, TI, design digital, cibersegurança, customer experience, nuvem, conectividade e fluxo de dados também estejam em alta após a pandemia.

"Muitas empresas que já vinham se preparando para o mundo digital foram menos impactadas. A tendência do digital não pode ser mais discurso, é uma grande realidade. Entre outras mudanças que temos acompanhado, podemos observar também um aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, do individualismo e da exigência de capacitação continuada, bem como o desenvolvimento de competências estratégicas e adaptáveis ao novo cenário", diz

Imprevisibilidade

A gerente executiva de seleção e consultoria da MRH Gestão, Valéria Mota, avalia ser cedo para dizer quais profissões estarão em alta, tendo em vista o cenário imprevisível até em curto prazo. "Podemos falar apenas de tendências. A inovação é algo que vai estar muito em alta. A gente já viu muita coisa se reinventando, olhares diferentes e formas de ressignificar", destaca.

Ela reforça o potencial da área de tecnologia, que deve adentrar cada vez mais profundamente outros segmentos, como o jurídico, o médico, o comercial, entre outros. "É algo que veio para ficar, um caminho sem volta. E ele ainda deve modificar a rotina de trabalho, como o home office. Tem dado certo para várias funções e, com a retomada, algumas empresas estão preconizando essa modalidade. Outras estão voltando de forma híbrida e até mesmo as que retornam ao presencial têm nova roupagem", aponta.

Ela detalha que as reuniões virtuais estão sendo priorizadas em detrimento de visitas presenciais, por serem mais rápidas e objetivas.

Saindo da esfera tecnológica, a gerente destaca os profissionais da área financeira, tendo em vista que as empresas precisarão sobreviver com os prejuízos decorridos do período de paralisação e recuperar clientes.

"A área da saúde também será valorizada. A pandemia mostrou a necessidade de se trabalhar com pesquisa. A parte de biotecnologia, biomedicina, vai voltar a receber investimentos", prevê.

A professora do Departamento de Administração da Universidade Federal do Ceará (UFC), Regina Soares, ainda cita a área de artes e cultura como forte aposta, embora de maneira diferente do que estávamos acostumados. "A oferta de serviços artísticos e culturais que não precisa mais de presença. Isso não existia antes, com exceção dos games. São novidades que criaram um novo impulso, novos consumidores. E não é algo de curto prazo, pois então teríamos um consumo pontual, mas não é isso", opina.

Enfraquecimento

No sentido contrário, algumas áreas de atuação podem acabar se enfraquecendo já agora durante a pandemia e também posteriomente. Soares acredita que seja o caso dos negócios que são baseados fundamentalmente no âmbito físico, que podem acabar perdendo impacto e resultados.

"Esses negócios costumam ter custo alto operacional e não conseguem alcançar um número grande de clientes. Não à toa, vemos lojas físicas, desocupadas em vários bairros da cidade. Nos Estados Unidos, temos shoppings fechando, pois estão ficando mais distantes das práticas de consumo. Estamos vendo sinais que as lojas físicas começam a murchar, passam a ter menos impacto e mais dificuldade de se manter", ressalta a professora Regina Soares.

Dana Nunes, superintendente do IEL Ceará, acredita que todas as áreas e segmentos que não conseguirem acompanhar a revolução tecnológica e as novas demandas do mercado tendem a ser enfraquecidas e correram um sério risco de desaparecer. "Alguns segmentos foram mais impactados nesse cenário, como academia de ginástica, eventos, cinemas e teatro, hotéis, turismo e restaurantes. Considero de extrema importância que os demais setores se fortaleçam através da cadeia produtiva, pois juntos poderão superar com menos impacto a retomada dos negócios", alerta.

Preparação

Para estar preparado para o momento que está por vir, Nunes destaca que será exigido dos profissionais mais capacidade de autogestão diante do teletrabalho e formas diferentes de evidenciar os resultados obtidos. "É importante que os profissionais possam se adaptar a esse momento, busquem maior proficiência nas tecnologias digitais pois, em alguns anos, a lógica de programação estará presente em um número ainda maior de profissões e atividades".

Soft skills

Ela ainda acrescenta que a revolução digital exige que os profissionais desenvolvam habilidades humanas, com boa capacidade de relacionamento interpessoal, empatia, agilidade mental, flexibilidade e inteligência emocional, assim como novas metodologias, processos ágeis e inovadores.

A gerente executiva da MRH Gestão, Valéria Mota, revela que as soft skills mais exigidas serão resiliência, flexibilidade, inovação e inteligência emocional. "Quem ainda está trabalhando em casa tem medo do momento de ter que retornar à rotina normal. Quem já está retornando, também tem medo da contaminação, mas precisa para manter o sustento. Então, inteligência emocional é e será muito importante", ressalta.

Ela orienta, no entanto, que os trabalhadores foquem no autoconhecimento, definindo exatamente onde se pretende chegar sem se direcionar exclusivamente no que o mercado tem a oferecer. "Preciso trabalhar em cima do que gosto, e então buscar capacitação, avaliar cenários, sem basear as escolhas unicamente no que o mercado pode responder", orienta.

A qualificação constante é um ponto imprescindível para quem procura uma colocação no mercado ou mesmo para manter a ocupação atual, segundo o coordenador da Intermediação de Profissionais do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Rubens Rodrigues. "Nunca devem perder de vista a qualificação em suas áreas de interesse. É preciso estudar, se aprimorar para ter êxito, seja para conseguir oportunidade ou manter o posto que ocupa", aconselha.

Áreas de atuação em alta

- TI
- Design Digital
- Cibersegurança
- Customer experience
- Conectividade
- Fluxo de dados
- Biotecnologia
- Biomedicina
- Arte e cultura

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