Data center: 1º ano é positivo, mas migração ainda é lenta na Capital

Com 15% da capacidade utilizada, o CEO da Angola Cables, António Nunes, celebra os resultados, mas admite que esperava maior ritmo de venda. Com pandemia, segmento residencial passou a ser tão importante quanto o corporativo

Inaugurado em abril do ano passado, o AngoNAP Fortaleza - data center da Angola Cables na Capital cearense - completou um ano de operação com 15% da capacidade utilizada. Apesar de considerar satisfatória, CEO da empresa, António Nunes, revela que companhia busca fazer com que empresas acelerem a migração de "data centers próprios" de empresas para equipamentos como o AngoNAP.

Segundo Nunes, o data center já possui um número considerável de clientes do Ceará e de outros estados do Nordeste, mas ele admite que esperava uma resposta um pouco melhor do mercado.

"A análise desse primeiro ano é positiva, embora não tanto quanto gostaríamos. As empresas estão se movimentando lentamente, migrando de data center privado que, na verdade, é um quartinho com ar condicionado, para instalarem seus equipamentos no próprio data center da Angola Cables em Fortaleza. É uma migração lenta, mas tem evoluído", afirma.

Ele detalha que as negociações da companhia se davam com muita interação pessoal, processo que ficou comprometido com o avanço da pandemia do novo coronavírus.

"A situação foi esfriando, as empresas se acomodando. Estamos voltando a falar com as pessoas por telefone e pela internet", ressalta.

Residencial

Nunes ainda pontua que houve certa "mudança de paradigma de conectividade" durante a pandemia com o avanço da participação do segmento residencial.

"Antes o corporativo era muito importante, agora o residencial é tão importante quanto. O conjunto dessas demandas residenciais são atendidas por operadores que podem se acomodar no data center. O tráfego de dados no Brasil em redes da Angola Cables já cresceu seis vezes com a pandemia".

Ele detalha que a empresa vende muita conectividade a seus clientes e que parte deles tinha outras fontes também.

Diante da crescente demanda na pandemia e da qualidade do serviço prestado, os circuitos da Angola Cables passarão a ser utilizados numa frequência maior. "Foi uma agradável surpresa e ficamos felizes de saber que nossas redes foram capazes de suportar a demanda", comenta.

Pecém

Sobre expansões da operação no Estado, Nunes aponta que o AngoNAP ainda tem muita capacidade a ser explorada e que atende à demanda existente. "Nós temos interesse em uma ramificação do data center no Pecém, para atender às empresas instaladas lá, que é uma solicitação do Governo do Estado. Por conta da Covid-19, isso ficou um pouco parado, mas queremos prosseguir", aponta Nunes.

Questionado sobre o interesse de outras empresas instalarem data centers também no Ceará, ele argumenta que a iniciativa demonstra a decisão acertada da Angola Cables em investir nesta praça.

"Outros players quererem replicar o que fizemos em primeira mão significa que nossa aposta foi acertada e que o mercado é suficientemente atrativo. Competitividade é sempre bem-vinda, mas claro que precisamos de pessoal mais treinado e mais ativo para manter nosso nível operacional atrativo", argumenta.

Ele ainda ressalta que a intenção é transformar o AngoNAP não só num ponto de compra, mas também de venda de conteúdo digital, tendo em vista que a conectividade com diversas partes do mundo através dos cabos submarinos abre oportunidades no mercado internacional.