Criação com afetividade estimula novos modelos de negócios

Na Capital, cresce a oferta de estabelecimentos que prestam serviços com foco no desenvolvimento educativo, emocional e intelectual das crianças. Nicho de mercado tem potencial para se expandir ainda mais, avalia FCDL

Legenda: Estabelecimento reúne em um único lugar aulas de música, idiomas, dança, esporte, contação de histórias e outros serviços

O desejo de querer sempre o melhor para as pessoas, o sentimento de proteção e cuidado constante e a alegria de ver a evolução da criança é característico do afeto sentido pelos pais, sejam biológicos ou adotivos. Partindo da intenção de estimular essa afetividade na criação dos filhos, novos modelos de negócios têm surgido na Capital com o propósito de oferecer serviços educativos complementares, utilizando metodologias diferentes das tradicionais.

A doutora em Direito Constitucional Christianny Dióge-nes revela sempre ter tido uma relação muito forte com a educação. Ao ter os filhos, sentiu o desejo de que eles gostassem de estudar tanto quanto ela. "Eu já lecionei e vi várias pessoas com traumas que os fizeram não gostar de se dedicar aos estudos. Então, queria promover uma forma diferente de aprender", conta.

Após quase dois anos de preparação, o Vida Infantil Espaço de Desenvolvimento entrou em atividade, em 2015. "De início, o local iria ser apenas um franqueado da FasTracKids. Durante minhas pesquisas, descobri a empresa de ensino que tem como lema 'Despertar a paixão por aprender', que casou exatamente com o que eu buscava", diz Christianny.

Com as professoras treinadas no método FasTracKids, os alunos do Vida Infantil têm aulas de inglês. "Temos também um programa que desenvolve as habilidades da criança do século XXI. Elas estudam 21 áreas do saber diferentes, como economia, teatro, astronomia, de forma muito prática, para que elas aprendam como pensar e não apenar memorizar o conteúdo", destaca Christianny.

Serviços agregados

A proprietária do Vida Infantil revela que recebeu, pela própria experiência com os filhos, que os pais estavam sempre levando as crianças de um lugar para o outro ao longo do dia. "Leva para a escola, para o Curso de Inglês, para a aula de música ou ballet. De repente, os pais viraram quase motoristas. Essa questão da logística é muito complicada. Então, resolvi agregar outros serviços também", pontua.

Atualmente, estão disponíveis no espaço aulas de natação, ballet, judô, karatê, capoeira, além da banca de estudos, onde as crianças recebem orientação das lições de casa escolares e musicalização para bebês. Christianny revela que hoje são cerca de 150 alunos matriculados em alguma modalidade.

"O Vida Infantil está começando a andar com as próprias pernas. Apesar disso, vejo muito potencial no nosso negócio e estamos trazendo novidades. Em parceria com a Gênio Azul, em agosto, teremos aula de robótica para crianças a partir de 6 anos".

Tendência

Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) do Ceará, Freitas Cordeiro, esse é o futuro do segmento. "Mais do que um brinquedo ou brincadeira, a criança também aprende ou desenvolve alguma habilidade. Vemos sinalizações dessas tendências lá fora e é tanta novidade, que ficamos tontos. Além disso, é muito bom saber que algo que ainda está se desenvolvendo lá fora já está sendo adotado aqui também. Não ficaremos para trás", avalia Freitas Cordeiro.

Festas

A interação interpessoal, sem a mediação dos canais eletrônicos, já tão inseridos no dia a dia das crianças, também tem sido resgatada. A YupiDoo, por exemplo, é um espaço para festas infantis com atividades e brincadeiras que estimulam a interação e as áreas cognitivas e psicomotoras.

Há pouco mais de um ano no mercado, a proprietária do estabelecimento, Germana Melo, explica o propósito do lugar. "A YupiDoo surgiu de uma necessidade que eu, como mãe de três filhos, vi de ter um lugar para fazer festas, que não fosse em casa, mas que fosse tão aconchegante quanto e que tivesse foco nas crianças. Tanto que nosso espaço para os adultos é bem reduzido", destaca.

Ela ressalta que, durante as festinhas, são resgatadas brincadeiras antigas que têm perdido popularidade, como pega-pega, corrida de saco, além de show de talentos, camarim onde as próprias crianças fazem a maquiagem e caracterização e oficinas de biscoitos, jardinagem, customização de almofadas, entre outras.

Melo estima que já foram realizadas cerca de 200 festas no espaço. "Temos eventos marcados até o fim do ano. De quinta a domingo, estamos sempre cheios", aponta. Neste mês de julho, a YupiDoo também está com a colônia de férias no período da manhã. "Já estamos na terceira semana a pedidos. Tínhamos programado fazer apenas por 15 dias", destaca a proprietária.

Ela revela que, pelo fato de a maioria das festas se concentrar nos fins de semana, há intenção de colocar outras atividades nos dias de menor movimento. "Pensamos em colocar programação para bebês e crianças com deficiência, com aulas personalizadas e profissionais que ajudem no desenvolvimento delas. Também queremos abrir o espaço para festas menores, em parceria com escolas", afirma.


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