Cresce pessimismo com cenário econômico nacional

Nova onda de casos no País nos últimos meses e consequentes medidas de isolamento social ampliaram incertezas sobre desempenho da atividade econômica, apontam economistas

Legenda: Flexibilização da economia e avanço da vacinação podem melhorar expectativa para os próximos meses
Foto: Fabiane de Paula

Diante da segunda onda da pandemia e de medidas de restrição das atividades, o pessimismo de especialistas frente aos desafios da macroeconomia brasileira piorou no segundo bimestre do ano. De acordo com a pesquisa Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE), a avaliação ficou em 73,5 pontos.

Quando esse valor fica abaixo de 100 pontos, é considerada uma perspectiva pessimista, e, se a pontuação ficar acima de 100, indica otimismo.  

O levantamento, que é uma parceria entre a Fecomércio-CE e o Conselho Regional de Economia (Corecon-Ce), colheu, entre os meses de março e abril, as expectativas de 101 especialistas em economia de diversos setores, como indústria, agricultura, setor público e outros.  

Além da pontuação geral, a pesquisa revela a avaliação de perspectivas quanto ao presente e ao futuro. Esses dois índices de percepção ficaram em 69,6 e 77,3 pontos, respectivamente. Ou seja, todos foram considerados pessimistas.  

Índices de expectativas 

Os especialistas avaliam ainda índices de expectativas segmentados, incluindo a oferta de crédito (145,9); taxa de juros (124,2); inflação (99,0); gastos públicos (75,3); nível de emprego (52,1); evolução do PIB (46,4); taxa de câmbio (44,8); cenário internacional (37,1); e salários reais (36,6).  

Com isso, o número de variáveis analisadas com pessimismo foi maior que o da pesquisa anterior: sete. As duas primeiras (crédito e juros) foram as únicas avaliadas com perspectiva otimista.  

“Em comparação com o primeiro bimestre, tivemos um aumento de seis para sete variáveis percebidas com pessimismo. Isso captou a piora dos números da pandemia, que causou novos lockdowns, mesmo com o avanço da vacinação”, aponta o economista Ricardo Eleutério, conselheiro do Corecon. 

Segundo as instituições, as novas ondas da pandemia e os lockdowns, no Brasil e no mundo, contribuíram para a deterioração dessas expectativas.  

“É um olhar sobre o comportamento nacional de nove variáveis econômicas. Continuamos com uma pressão inflacionária, o real se desvalorizando frente ao dólar, os gastos públicos continuam crescendo. Além disso, o ritmo da nossa produção de atividade econômica está baixo”. 
Ricardo Eleutério
economista

Avanço do pessimismo 

Realizado bimestralmente, o índice apontou ainda que o pessimismo do setor aumentou 14,5% em relação ao levantamento de janeiro e fevereiro, quando foi avaliada com 85,9 pontos. O valor é o menor desde julho de 2020.  

Considerando a variável do futuro, a expectativa pessimista teve um crescimento de 23,4%. No primeiro bimestre do ano, a projeção era levemente otimista e contabilizou 101 pontos. Agora, o valor caiu para 77,3.  

“É uma pesquisa de expectativas, então é possível que, com uma dinâmica econômica melhor, essas expectativas se revertam, o que gera mais consumo, mais investimento, mais emprego”, conclui. 

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