Cooperativismo cearense projeta fortalecimento no pós-pandemia

Neste sábado (4/7), celebra-se o Dia Internacional do Cooperativismo. Segmentos de saúde e agropecuária sentiram os menores impactos com a readaptação dos serviços

Legenda: Cooperativas de saúde sofreram menos impactos com a crise que outros segmentos
Foto: AFP

A união e solidariedade presentes nas cooperativas cearenses são importantes no processo de superação da crise ocasionada pela pandemia de Covid-19 no Estado. De acordo com o presidente do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Ceará (Sescoop-CE), ligado à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB),João Nicédio Alves, o “sentimento de dono” é o maior responsável pela diminuição do impacto no setor.

“Existe uma co-responsabilidade, uma co-participação e um co-pertencimento, então, os associados sabem que ganham e perdem juntos, todos são donos da empresa”, explica o representante.

Segundo Nicédio, os ramos de cooperativas que sentiram menos os efeitos da crise foram os de saúde e agropecuário. “Não podemos dizer que não houve impacto, mas foram os serviços que não pararam, alguns até tiveram bons resultados”, afirma.

De acordo com Natalie Costa, coordenadora de marketing e ações sociais do Sistema de Crédito e Cooperativo (Sicredi-CE), este período de pandemia teve um papel crucial para "despertar" nas pessoas a importância de se manter cooperativos, com isso, a tendência é que o cooperativismo se mantenha mais forte.

"Apesar das dificuldades, esse momento atípico da pandemia conseguiu despertar nas pessoas a importância de se manter cooperativos. E que o cooperativismo é algo transformador, que tem que estar em ação sempre e de forma constante. Eu acho que neste período, nós conseguimos impactar muitas pessoas para serem mais cooperativas. A tendência é que este movimento se mantenha cada vez mais forte", comenta.

Segmentos afetados

Nicédio aponta que os piores resultados desses setores são relacionados aos produtores que têm a maior parte das vendas direcionadas às atividades que estão suspensas há mais tempo.

“Os produtores de polpas sofreram muito no começo, porque vendem principalmente para hotéis, pousadas e cantinas de escolas. Isso melhorou quando readaptaram esse serviço, começaram o delivery e as vendas online”, explica.

Outros segmentos foram mais afetados pela suspensão das atividades após o decreto de isolamento social, como transporte e trabalho. O último é responsável por serviços terceirizados, principalmente na área de manutenção.

“Não posso dizer que tudo são flores, que tá tudo bem. Nós tivemos um problema seríssimo com as cooperativas de transportes, elas pararam 100%, ninguém do ramo tem estrutura para passar dois meses sem receita”, lamenta.

Retomada

Apesar de Fortaleza ainda estar na segunda fase do plano de retomada gradual da economia e de algumas cidades do interior do Estado enfrentarem lockdown, Alves acredita que as cooperativas do Ceará já estão sentindo o reaquecimento no cotidiano.

“A gente tem escutado muito de todos os segmentos que o momento é de cooperação, de organizar, se juntar e eu percebo isso da população também. Então, isso é o cooperativismo, decidir junto”, projeta.

As mudanças na forma de trabalhar e de manter a união também devem perpetuar dentro das cooperativas, como reuniões entre os associados que moravam em diferentes cidades.

“Alguns precisavam viajar mais de 5 horas para participar de um encontro que durava 2h e depois voltar para sua cidade, isso não existe mais, fazemos tudo por videochamada e é um legado que devemos manter”.

Dia C

Para auxiliar a população no enfrentamento do novo coronavírus, desde abril, a Sicredi organizou diversas ações para dar suporte à população, que irão culminar neste sábado (4), no dia C, dia do cooperativismo. De acordo com Natalie Costa, neste período foram arrecados mais de oito toneladas de alimentos distribuidas em todo o Ceará. 

Além dos alimentos, a cooperativa organizou ações de doação de sangue, educação financeira e doações de máscaras para ajudar as pessoas neste momento.