Comércio projeta segundo semestre melhor com novas articulações

Com novo contato com o Governo do Estado, a partir de subsecretaria da Sedet, e novos mecanismos, como a MP da Liberdade Econômica e um cartão do BNB, setor espera manter patamar de contratações temporárias neste ano

Legenda: O resultado de novembro indicou um saldo positivo na diferença de admissões e desligamentos para o setor
Foto: FABIANE DE PAULA

Mesmo que a economia nacional ainda viva um cenário de estagnação, o comércio cearense espera resultados melhores no segundo semestre desse ano. De acordo com o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro, o setor deverá manter, em 2019, o nível de contratações temporárias apresentado em 2018 e empregar efetivamente cerca de 20% das pessoas ao fim deste período. Outra perspectiva importante para o otimismo na segunda metade do ano é a possível aprovação, no Congresso Nacional, da Medida Provisória (MP), da Liberdade Econômica, que deverá reduzir os custos dos comerciantes e facilitar o atendimento da demanda crescente gerado pelas festas de fim de ano.

"Eu não lembro de nenhum segundo semestre que foi pior do que o primeiro, mesmo no começo da crise, então estamos esperando um segundo semestre de 2019 melhor para o comércio. O governo tem sinalizado alguns avanços que nos estimulam e nós precisamos disso, um desses pontos é a MP da Liberdade Econômica, que pode estimular investimentos", disse Cordeiro.

Sobre as a geração de empregos, o presidente da FCDL disse que o comércio deverá começar a contratar a partir do mês de setembro. Além disso, o patamar de oportunidades temporárias deverá se manter no mesmo nível de 2018. "Em setembro e outubro as pessoas já começam a reforçar os quadros. O varejo e comércio sempre tem contratações temporárias e cerca 20% é efetivada", disse.

Cordeiro também comentou sobre o programa de desenvolvimento econômico do Governo do Estado, apresentado aos representantes do comércio pelo secretário de desenvolvimento e trabalho do Ceará, Maia Júnior. Freitas enalteceu a nova postura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, que vem buscando melhorar o diálogo com o setor.

"O secretário Maia criou uma subsecretaria para atender ao comércio e isso não existia antes. A Sedet só articulava com a indústria e esquecia todo um setor, que ficava sem articulação. Mas eu hoje a gente chega com uma demanda e vai ser atendido. Então isso é muito importante para a economia do nosso estado", ressaltou Freitas.

Novas ferramentas

A menos de um mês do início do BR-O-Bró, meses nos quais o comércio normalmente fica mais aquecido em decorrência do Natal e Réveillon, o varejo passa a contar com mais uma ferramenta para aproveitar a chance de alavancar o faturamento. As micros e pequenas empresas no Ceará e também nas outras regiões de atuação do Banco do Nordeste já podem ir em uma agência da instituição e solicitar o Cartão BNB.

O Cartão BNB é fruto de um acordo de cooperação técnica firmado entre a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e o Banco do Nordeste na primeira metade deste ano. O produto é voltado aos negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O presidente da Fecomércio-CE, Maurício Filizola, pondera, sem mencionar números, que as vendas do comércio cearense devem realmente ser melhores em relação ao ano passado e reforça a expectativa de que o empresário aproveite a oportunidade.

"Esperamos, com esta parceria, dar oportunidade principalmente para o pequeno e médio empresário, com ferramentas, principalmente de crédito, através do capital de giro e investimento", diz Filizola, destacando a intenção de beneficiar e aquecer o mercado. Ele também reforça que além da ferramenta de crédito, é fundamental promover a capacitação para que o empresário faça bom uso do crédito.

O acordo firmado entre CNC e Banco do Nordeste também prevê ações nas frentes de capacitação e pesquisa. Filizola espera que as medidas beneficiem e aproximem da Fecomércio-CE as 150 mil empresas representadas pela entidade, que conta com 33 sindicatos filiados.

Para o presidente licenciado da Fecomércio-CE e vice-presidente administrativo da CNC, Luiz Gastão Bittencourt, a expectativa realmente é ter um BR-O-Bró melhor em relação ao ano passado. "A expectativa é que nós possamos retomar, dar melhor competitividade às empresas, melhores condições de elas se prepararem e sair desse momento, vislumbrar a volta de um crescimento sustentável", diz.

De acordo com o presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim, o crédito poderá ser utilizado para investimento, com taxa de até 5% ao ano, prazo de até oito anos para pagamento com carência de três anos, ou para capital de giro, com taxa de até 6% a. A., prazo de 36 meses e carência de seis meses.

"O ganho desse acordo é a rapidez no atendimento aos nossos clientes com esses produtos voltados para as micros e pequenas empresas. O cartão vai ser uma grande ferramenta para o atendimento a esse público", diz Rolim.


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