Com R$ 154 mi, Ceará é 3º estado em operações do FNE Emergencial

Mais de duas mil empresas no Estado já tiveram acesso à linha de crédito subsidiada durante a pandemia. Mais impactados pela crise e atraídos pelas condições, micro e pequenos negócios representam 88% das operações

Legenda: Entre abril e maio, o setor de comércio e serviços foi responsável por 74% das contratações no Ceará
Foto: Foto: Helene Santos

Uma das medidas econômicas do Governo Federal com o propósito de minimizar o impacto da pandemia do novo coronavírus sobre os negócios, a linha de crédito emergencial do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) já beneficiou 2.068 empresas no Ceará nesse período, que contrataram R$ 154,8 milhões até a última segunda-feira (27).

O Estado concentra o terceiro maior volume de crédito aplicado pelo Banco do Nordeste (BNB), sendo responsável por uma fatia de 14,6% do R$ 1,054 bilhão que já foi empregado em toda a região de atuação do banco - instituição financeira que opera o FNE -, incluindo os nove estados do Nordeste e áreas do norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Somente Pernambuco (R$ 158,6 milhões) e Bahia (R$ 210,4 milhões) registraram montantes superiores.

Luiz Abel Amorim de Andrade, superintendente de Supervisão da Rede de Agências do BNB, ressalta que as operações têm o objetivo de fomentar a recuperação ou a preservação das atividades dos setores produtivos industrial, comercial e de serviços, garantindo o investimento e fluxo de caixa mesmo durante o isolamento social e o retorno gradual das atividades.

"Fazemos isso a uma taxa de juros prefixada de 2,5%, bem abaixo da média do mercado. Por conta dos limites também, temos um ticket médio de R$ 75,9 mil por operação, o que nos permite atingir um leque variado de empresas atendidas, pulverizando esses recursos", destaca.

Diante da situação econômica adversa provocada pela pandemia e dos atrativos da linha, Andrade ressalta que o volume de propostas e pedidos de crédito para o FNE Emergencial tem sido gigantesco, de forma que foi necessário estabelecer um atendimento especial para dar agilidade ao processo de análise.

Ele lembra que, com isso, algumas flexibilizações foram feitas, como dispensa de determinadas certidões, tendo em vista a necessidade do momento. Andrade ainda revela que a maioria das propostas que conseguiram comprovar as exigências foram aprovadas, embora não tenha precisado o percentual de concessão.

Micro e pequenos

Conforme balanço da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) relativo aos recursos do FNE Emergencial liberados em abril e maio, 83,7% das operações realizadas no Ceará foram para pequenas empresas. Outros 4,4% ainda foram para mini e micro negócios. As pequenas-médias empresas representaram 7,7% das contratações, e as médias, 4,1%.

O superintendente do BNB lembra a importância de alcançar os pequenos negócios, uma vez que eles são mais vulneráveis e têm sofrido mais com a recessão atual. "É importante elas terem esse apoio de perto do Banco do Nordeste para conseguirem continuar suas atividades. É a nossa principal preocupação", pontua.

Para dar suporte também aos negócios informais e a pessoas físicas, o FNE Emergencial começou a ser disponibilizado também através do CrediAmigo, programa de microcrédito urbano do BNB. "A gente sabe que a economia informal também tem sofrido bastante. Então, começamos a disponibilizar esses recursos também para pessoas físicas e MEIs (Microempreendedores Individuais)", afirma.

De acordo com Andrade, o orçamento total do FNE Emergencial é de R$ 3 bilhões, que devem ser aplicados até o fim da vigência do estado de calamidade pública em decorrência da pandemia - ou seja, pelo menos por enquanto, até o fim do ano. No entanto, ele acredita que o ritmo de consumo da cifra deva acelerar com o acesso das pessoas físicas pelo CrediAmigo e que ela esgote até o fim de setembro. Ele ainda prevê que cerca de R$ 1,65 bilhão seja destinado a empresas e R$ 1,35 bilhão para pessoas físicas.

O diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae Ceará), Alci Porto, destaca que o FNE Emergencial foi a principal linha de crédito da micro e pequena empresa no Ceará. "É a linha com as melhores condições no mercado. Claro que aqueles que já eram clientes do banco tiveram acesso com mais facilidade, enquanto os que não estavam na carteira de clientes tiveram de enfrentar um pouco de burocracia. Mas é natural. Muitas dessas dificuldades não se devem nem ao BNB, mas às condições da linha, às exigências do sistema bancário", argumenta.

Ele ressalta que o BNB também tem sido o banco que tem possibilitado o maior acesso de recursos a micro e pequenas empresas no Estado. "Além do FNE Emergencial, eles também têm o microcrédito, que é uma carteira significativa. É disparado o banco que mais tem financiado essas empresas no pós-pandemia", aponta Porto.

De fato, um levantamento do Sebrae identificou que, até junho, o BNB foi o principal agente de crédito para as pequenas empresas no Ceará, respondendo por 88,1% do total de financiamentos confirmados. O Bradesco, a Caixa Econômica e o Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi) aparecem empatados no segundo lugar, com 5,9% cada.

Atividades

Ainda conforme o relatório da Sudene, entre abril e maio, o setor de comércio e serviços foi responsável por 74% das contratações no Ceará, enquanto a indústria representou apenas 16% e o turismo, 9%. Os minimercados, mercearias e armazéns somam 20% do volume contratado, sendo a principal atividade beneficiada, seguida pelas lojas de material de construção (16%), de produtos farmacêuticos (12%), e de autopeças (11%).

O superintendente do BNB pontua que a distribuição está em consonância com a estrutura econômica cearense, que é baseada majoritariamente em comércio e serviços. Ele ainda afirma que devido à própria característica desses negócios é natural que eles demandem mais. "Eles têm uma necessidade de fluxo de caixa maior, uma alta rotatividade. Durante a pandemia, a busca por recursos é importante para fazer esses negócios continuarem girando".

O balanço ainda revela que 10% do total das operações do FNE Emergencial no Ceará foram o primeiro contato das empresas com o fundo. Para Andrade, isso ajuda a base de clientes do BNB a crescer e, ao término do contrato, permite que elas renovem o limite e tenham acesso a novos créditos.