Com início da retomada, produção industrial do CE cresce 39,2%

Resultado observado na passagem de maio para junho foi o segundo maior do País, conforme o IBGE. Mesmo com resultado positivo, queda foi de 22,01% frente a junho do ano passado. Volta ao patamar pré-crise de 2014 levará anos

Legenda: O Ceará encerrou o primeiro semestre com uma queda de 22% na produção da indústria local - a pior entre os estados brasileiros
Foto: Lana Pinho

Após o início da retomada gradual da economia em junho, a produção industrial cearense reagiu e apresentou um avanço de 39,2% em relação a maio, segundo informou a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi o segundo mais alto entre os estados consultados na pesquisa, ficando atrás somente do Amazonas (65,7%).

O economista e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Lauro Chaves Neto, explica que o resultado reflete o relaxamento das medidas de isolamento social impostas para a indústria na passagem de maio para junho.

"Isso é positivo. Porém, nós temos uma dupla análise sobre esses dados. Quando comparamos 2020 com 2019, ainda temos uma redução de 22,1% em junho, lembrando que em 2019 já tínhamos um nível de desemprego recorde, ou seja, estamos comparando com uma base muito deprimida", aponta.

Para ele, as retrações registradas na produção industrial desde o início da pandemia do novo coronavírus demonstram que o processo de recuperação da economia para voltar a crescer e, principalmente, para retomar o nível de atividade anterior à recessão de 2014 vai levar alguns anos. "Nosso parâmetro é retornar a patamares de antes da recessão de 2014 a 2016. Estamos muito longe disso", diz.

O Ceará encerrou o primeiro semestre com uma queda de 22% na produção da indústria local - a pior entre os estados brasileiros. Na média nacional, o recuo foi de 10,9%. Chaves afirma que isso só reforça o longo caminho a ser percorrido pela indústria rumo à recuperação.

"Para isso (retomar), vamos precisar urgente da aprovação da reforma tributária, melhorar o ambiente de negócios, trazer uma profunda desburocratização para facilitar a vida das empresas. No campo da demanda, precisamos, como sociedade, refletir sobre a aprovação de uma renda básica que sirva de suporte para os mais vulneráveis. Isso também pode acelerar a retomada como um todo", argumenta.

Brasil

Na comparação de junho ante maio, a produção industrial cresceu em 14 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE. Segundo a instituição, o desempenho positivo reflete a ampliação do movimento de retorno à produção de unidades que estavam paralisadas por conta dos efeitos causados pela pandemia.

Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve um avanço de 10,2%. Os demais aumentos ocorreram no Rio Grande do Sul (12,6%), Santa Catarina (9,1%), Minas Gerais (5,8%), Paraná (5,2%), Pernambuco (3,5%), Pará (2,8%), Goiás (0,7%), Rio de Janeiro (0 7%), Bahia (0,6%) e Espírito Santo (0,4%).

O único recuo foi registrado pelo Mato Grosso (-0,4%). Na média global, a indústria nacional avançou 8,9% em junho ante maio. Já na comparação de junho deste ano em relação a igual mês de 2019, produção industrial encolheu em 12 dos 15 locais pesquisados.

O IBGE ressalta que "permanece o movimento de menor intensidade no ritmo da produção industrial, ainda influenciada pelos efeitos do isolamento social e que afetou o processo de produção de várias unidades produtivas".

 

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