Com alta demanda, ração para pets fica 16% mais cara em Fortaleza; veja dicas para economizar

Tutores precisam readaptar as compras para reduzir impactos no orçamento familiar; veja como economizar

Escrito por Bruna Damasceno, bruna.damasceno@svm.com.br

Negócios
Funcionário de pet shop coloca ração na embalagem
Legenda: Ficou mais caro alimentar os pets em Fortaleza, com inflação de 16,80%
Foto: Thiago Gadelha / SVM

A inflação de alimentos para animais domésticos (16,80%) superou a de comidas em domicílio para humanos (10,63%), em Fortaleza. Os custos de tratamento e serviços de higienes (banho e tosa) para pets também tiveram elevações de 2,55% e 1,22%, respectivamente. 

Os percentuais consideram o acumulado dos últimos 12 meses, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Economistas avaliam que as majorações são pressionadas pela alta demanda desde o início da pandemia e pela inflação de matérias-primas. As commodities (artigos de origem primária produzidos em larga escala) — cotadas em dólar — também podem ter refletido no valor final, a depender do produto. 

Em todo o Brasil, a inflação de alimentos para espécies domésticas foi ainda maior: 23,70%. Além disso, os serviços de higiene (7,74%) e o atendimento em clínicas veterinárias brasileiras (6,9%) ficaram mais caros. 

O economista Fran Bezerra pondera que as commodities são uma variável de sutil influência sobre a inflação desse tipo de produto, causando mais impacto para outras áreas, como agronegócio, avicultura e a bovinocultura.

“O que ocorreu é que alimentos para humanos sofreram alta considerável, como acompanhamos ao longo do ano passado, puxada pela maior demanda e perdas relevantes das safras de alguns alimentos”, observa. 

"Sobretudo, houve o aumento do preço das carnes, que influenciou o mercado de exportação, e boa parte da carne brasileira foi exportada para o resto do mundo, principalmente para a China", diz, apontando que o valor dessas matérias-primas incidiram sobre o custo da alimentação para cães e gatos.

Escassez de produtos

O diretor-geral do pet shop "Quatro Patas", Antonio Lucas Ximenes Bonfim, destaca que os lojistas enfrentaram, além da inflação, a escassez de produtos nos últimos meses.

“A ração, por exemplo, teve vários aumentos. O motivo era o valor da matéria-prima, como o milho, que não parava de subir. Gaiola e acessórios também foram afetados, pois o ferro e o plástico estavam escassos”, lista. 

Ele acrescenta que houve negociações com fornecedores para reduzir o impacto para o comprador final, mas algumas elevações foram inevitáveis e tiveram de ser repassadas.

“Apesar disso, as vendas não foram impactadas, muito pelo contrário, nosso ramo cresceu bastante”, afirma
.

Pet sendo cuidado
Legenda: A saúde preventiva é importante não só para o bem-estar do animal, mas para evitar surpresas no orçamento dos tutores
Foto: Thiago Gadelha / SVM

Aumentos exigem adaptação das compras

Amilton ao lado dos cães
Legenda: O estudante Amilton, tutor dos cães Simba e Nala, precisou pesquisar mais para economizar nas rações
Foto: Arquivo Pessoal

O estudante Amilton Rocha, de 27 anos, viu o custo mensal de alimentação para os dois cachorros de grande porte (raça golden retriever) subir 15%. “Eu tenho gastos mensais de cerca de R$ 240 com rações e de R$ 120 de banhos. Caso tenha consulta e medicamentos, fica na faixa de R$ 1 mil”, calcula. 

“A ração que eu comprava de R$ 190 passou a ser R$ 220. Para eu economizar, tive que pesquisar em mais lojas rações e medicamentos mais baratos”, relata. 

Desirée Mota, vice-presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon), aponta que o mercado “superaqueceu’” desde o início da pandemia. Por isso, os consumidores têm de recorrer às tradicionais pesquisas e substituições para economizar. 

“Tutores que têm mais de um animal podem comprar ração em maior quantidade para conseguir um preço melhor, mas o ideal é ir monitorando os preços e promoções”, orienta. 

No caso de promoções, deve-se olhar o prazo de validade dos produtos para evitar estragos. Outra dica, acrescenta, é ficar atento às reais necessidades dos animais. “A orientação do veterinário é importante para comprar a quantidade de comida necessária e saber as porções corretas”, recomenda. 

O sócio-proprietário do plano de saúde "Pet Mais Vida Fortaleza", Guilherme Paraense, nota acréscimo na busca pelo serviço nos últimos meses. 

“Ocorreu um aumento, mas ainda discreto diante dos aumentos dos preços de serviços de maneira em geral. Acreditamos, ainda, que a pandemia tem deixado o cliente inseguro para a fidelizar a contratação de um plano de saúde mensal”, avalia.

“Por isso, não fizemos reajustes, para que muitos tutores, que não têm o conhecimento desse serviço, pudessem ter acesso a ele”, aponta. 
 

Veja dicas de como economizar

Consumidor compra produtos em pet shop
Foto: Thiago Gadelha / SVM

  • Pesquise antes e comprar;
  • Avalie a substituição por uma marca mais barata, sem a perda nutricional da alimentação para o pet;
  • Veja se compensa comprar em grande quantidade, mas fique atento aos prazos de validade;
  • No caso de medicamentos, pergunte ao veterinário se não há a alternativa de substituição por remédios para humanos, que tendem a ser mais baratos;
  • Reduza os banhos em pet shops. Se o animal vai uma vez por semana, reduza para um banho mensal, deixando os demais para serem feitos em casa;
  • Mantenha a saúde preventiva do animal.

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