Cipp: estudo sobre reúso da água sai até agosto

O projeto visa garantir recursos hídricos para a CSP, que deverá entrar em operação no início do próximo ano

Legenda: Atualmente, a demanda de água no Cipp é de aproximadamente 900 litros por segundo (l/s), com projeção de aumento, já para o próximo ano, quando entrará em operação a CSP, para 1.800 l/s
Foto: FOTO: MARÍLIA CAMELO

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) deverá concluir, até o início do próximo mês de agosto, o estudo de viabilidade técnico-financeira para o reúso de águas de resíduos no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Em virtude da estiagem e do início das operações da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), previsto para o primeiro trimestre do ano que vem, o projeto vem sendo visto como uma importante alternativa a fim de garantir recursos hídricos para a região.

Como a possibilidade do reúso ainda está em análise, a Cagece ainda não sabe informar qual será o investimento necessário para implementar a solução. O projeto tem por objetivo conferir um tratamento em nível terciário de todo o efluente que é lançado pelo emissário submarino da Estação de Precondicionamento (EPC) da Avenida Leste Oeste, localizado em frente ao Instituto Médico Legal (IML).

O emissário, produzido pelo Município de Fortaleza, seria tratado e bombeado por cerca de 40 quilômetros até o complexo, para assim ser reutilizado pelas indústrias.

Demanda

Hoje, a demanda de água no Cipp é de aproximadamente 900 litros por segundo (l/s), com projeção, já para o próximo ano, quando entrará em operação a CSP, para 1.800 l/s. O projeto da Cagece irá possibilitar a oferta de cerca de 2.000 l/s, volume que seria capaz de atender à demanda prevista para o complexo neste período.

O projeto chegou a ser discutido na semana passada em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Ceará, atendendo ao requerimento de autoria do deputado Elmano de Freitas, por meio da Comissão de Desenvolvimento Regional, Recursos Hídricos, Minas e Pesca da Casa. O gestor ambiental Carlos Alberto Júnior, representando a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), afirmou que, para que o projeto receba o licenciamento ambiental, será necessária também a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

Vantagens

De acordo com ele, o documento é importante diante do porte e o potencial poluidor degradador do projeto. Ele ressaltou, contudo, que o projeto tem por vantagens permitir a economia de água no Estado, além de reduzir a possibilidade de poluição causada pelas efluentes lançado no emissário submarino.

Sobre a realização do EIA/Rima, a Cagece, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que ainda não pode se manifestar sobre o assunto, considerando que os estudos ainda não foram concluídos.

A questão do fornecimento de recursos hídricos para o Cipp é considerada pela secretária do Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), Nicolle Barbosa, como prioritária, uma vez que, sem água, não há como garantir a vinda de indústrias para a região. Em entrevista concedida ao Diário do Nordeste na semana passada, a secretária adiantou que será formado um grupo de trabalho para discutir o tema, com o objetivo de viabilizar a instalação de uma usina de dessalinização no Cipp.

"Nós já temos umas três propostas de empresas. São duas empresas espanholas e uma de Israel. Vamos ver quem vai trazer a melhor proposta. Isso é para logo. Acho que em um ano e oito meses, uma usina dessas, entrando em construção, ela estará pronta", informou Nicolle, na ocasião.

Sérgio de Sousa
Repórter

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