Cesta básica em Fortaleza apresenta terceiro mês de queda, mas segue como a mais cara do Nordeste

Mesmo com 4,63% de queda em setembro, capital cearense tem a cesta mais cara da região e é a 11º do ranking custando R$ 384,17

Depois de um recuou de 6,96% em agosto e 3,51% em julho, Fortaleza apresenta em setembro a terceira queda seguida do preço da cesta básica, com deflação de 4,63%. No acumulado, já são 15,10% de baixa, segundo pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgada nesta sexta (4).

No último mês, dos doze produtos que compõem a lista, sete itens contribuíram para o preço cair de R$ 402,84 para R$ 384,17. Entre eles, o tomate foi o que mais interferiu no resultado, com -23,49%.

"Como é uma cultura irrigada, sempre no segundo semestre o preço cai. No inverno nordestino, tem o problema muito grande de excesso de chuva e a produção cai. No segundo semestre, como o clima está mais seco, a cultura tem como controlar mais a sua produção, ela aumenta e o preço cai. Isso é um fenômeno que ao longo do tempo a gente tem observado aqui no Ceará", destaca Reginaldo Aguiar, Superintendente Regional do Dieese.

A cesta também foi influenciada pela banana (-5,86%), feijão (-5,80%), leite (-1,01%), carne (-0,70%), café (-2,29%) e manteiga (-1,04%). Foram observadas ainda aumento em quatro produtos dos quais destacam-se a farinha (2,96%), o óleo (2,12%) e o açúcar (1,79%).

Mesmo tendo a maior queda do Brasil, Fortaleza segue com a cesta básica mais cara do Nordeste e está na 11º colocação no ranking nacional que analisa 17 capitais. A cesta mais cara é encontrada em São Paulo, por R$ 473,85, e a mais barata está em Aracaju, por R$ 328,70.

Salário mínimo

Com a deflação apresentada neste mês, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica totalizou 88 horas e 25 minutos. Em agosto, foi 90 horas e 24 minutos. Em setembro de 2018, quando o salário mínimo era de R$ 954,00, o tempo médio foi de 85 horas e 35 minutos.

Quando se compara com o salário mínimo líquido, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em setembro, 43,68% da remuneração para adquirir os produtos. Esse percentual foi inferior ao de agosto, quando ficou em 44,66%. Em setembro de 2018, a compra demandava 42,29% do montante líquido recebido. 

Análise histórica

Observando as variações semestral e anual em Fortaleza, é possível ver que setembro de 2019 (R$ 384,17) está mais barato do que em março de 2019 (R$ 445,12), com deflação de 13,69%, e mais elevada que em setembro de 2018 (R$ 367,14), com alta de 4,64%.

Quem contribui principalmente para aumentar o preço da cesta básica com relação ao ano passado foi o feijão. Embora tenha apresentado queda desde março, em doze meses houve uma variação positiva de 42,22%. 

"Em 2016, o feijão teve um pico em agosto e começou a cair sistematicamente. Ao longo de 2018, ele foi caindo e teve um pico de baixa setembro e voltou a subir significativamente depois. O pico de novo foi em março de 2019 e, de lá para cá, vem caíndo. Então esses dados de início de 2019 que tem refletido ainda no aumento", explica.

Em março, por exemplo, segundo Reginaldo Aguiar, o preço médio do quilo estava R$ 7,87 e, agora, o preço está R$ 4,55 o quilo.


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