Ceará volta a ter saldo de vagas positivo no acumulado do ano

Geração de 6.323 postos de trabalho impulsionada pelo setor de serviços foi suficiente para reverter o resultado negativo no apanhado em 2019. De janeiro a agosto, eram -1.423 postos a menos. Agora, em nove meses, são 5.090 a mais

Legenda: Reabertura dos restaurantes está prevista para o dia 22 de junho.
Foto: Foto: Thiago Gadelha

Em um cenário econômico que avança a passos lentos, o Ceará registrou, pela primeira vez, um saldo positivo na geração de postos de trabalho, no acumulado do ano. De janeiro a setembro foram 5.090 empregos formais no Estado, número que decorre de 292.241 admissões contra 287.252 desligamentos no período, conforme dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), divulgado pelo Ministério da Economia.

Na avaliação de Erle Mesquita, coordenador de Estudo e Análise de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), este período do ano dinamiza o mercado formal, principalmente com a oferta de empregos temporários. "Os últimos quatro meses do ano tradicionalmente puxam resultados mais positivos. São meses em que a atividade econômica é mais aquecida por causa das festividades de fim de ano. Com isso, há mais admissões e a repressão de demissões".

No acumulado do ano até agosto, todos os saldos terminaram em baixa: o apanhado de janeiro e fevereiro totalizou -2858 postps; bem como janeiro a março (-7965); além janeiro a abril (-5624); seguindo de janeiro a maio (-6935); janeiro a junho (-6994), janeiro a julho, com -5.951 e, por último, janeiro a agosto (-1.423).

O resultado do último acumulado foi satisfatório para o segmento de serviços, com 9.583 mil empregos gerados entre janeiro e setembro, seguindo agropecuária, com 1.114. "A gente percebe que esse resultado positivo está muito concentrado no setor de serviços, que necessita de muita mão de obra ou de atendimento presencial, abrangendo atividades como zeladoria, limpeza e atendimento", explica Mesquita.

Para Taiene Righetto, diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-CE), as oportunidades de emprego foram mais direcionadas ao interior do Estado. "Em Fortaleza, ainda estamos nos recuperando dos efeitos do fechamento de empresas no ano passado. Mas no interior do Estado, o crescimento é mais intenso, principalmente na região do Cariri, que a cada quinze dias abre cerca de 5 novos estabelecimentos na área de bares ou restaurantes, de acordo com os nossos levantamentos", aponta ele.

Sobre o desempenho da agropecuária, Erle Mesquita acrescenta que o setor vem oferecendo novas oportunidades na região do Vale do Jaguaribe, com avanço na exportação de frutas e polpas no Estado. "É um setor que historicamente tem uma informalidade muito grande. Isso mostra a expansão de postos de trabalho", salienta.

Ânimo

Especificamente em setembro, o total de empregos formais gerados também foi expressivo, com 6.323. Novamente, o setor que sinalizou mais postos foi o de serviços, com 3.096 vagas. Outro segmento que registrou ânimo na economia foi o comércio, com 1.054 empregos; além de indústria da transformação, com 1.046 em setembro.

Ritmo lento

Apesar do resultado atingido no acumulado do ano, Mesquita argumenta que o ritmo da economia local ainda não é o esperado. Conforme os dados do Caged, o comércio teve saldo negativo neste período de 3.038 postos de trabalho. Na avaliação de Freitas Cordeiro, presidente das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), o setor no Estado foi impactado pela falta de confiança do empresário cearense diante do cenário de incertezas e no aguardo da reforma tributária.

"Se não fossem os esforços do governo em lançar estímulos como a Semana do Brasil (campanha semelhante à Black Friday) e a liberação do saque do FGTS, o resultado seria bem pior. O empresário, quando não vê resultado nos lucros, recua nos investimentos. Infelizmente, as portas para novos empregos acabam se fechando", afirma Freitas.

Contudo, as expectativas para o fechamento de 2019 ainda são positivas, principalmente com a chegada do Natal. "No mês de outubro, nós já começamos a ver mais contratações de vagas temporárias, já que dezembro está chegando e com ele a grande movimentação de consumidores nas lojas, o que gera resultados positivos nas vendas. Então, esse histórico pode mudar", afirma.

A construção civil também segue no mesmo balanço, com baixas de 2.294 empregos de carteira assinada. "Isso demonstra que este ano, apesar de algumas expectativas que alguns especialistas apontavam, o ritmo de crescimento econômico foi menos intenso, embora a economia cearense tenha crescido com ritmo mais significativo que a nacional", pondera Mesquita.

Para ele, o setor sofre com a falta de renda das famílias. "O número de desempregados é alto. E isso afeta toda a cadeia produtiva, porque é menos dinheiro girando, o que reduz a geração de crédito para financiamentos, que se reflete na construção civil", diz.

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