Ceará tem maior saldo de empresas do mercado pet em cinco anos

Estado encerrou o ano de 2019 com 934 novos negócios voltados ao segmento de animais de estimação, segundo dados da Junta Comercial. Quantidade é mais de seis vezes o saldo do ano anterior 

Legenda: Clairton Matoso e a esposa abriram um pet shop em 2019 e planejam expandir o negócio
Foto: Foto: Kid Júnior

Não é de hoje que os animais de estimação garantem lugares como membros de prestígio nas famílias cearenses, muitas vezes considerados filhos, mas nos últimos anos eles têm ganhado mais espaço também nos orçamentos dos lares, impulsionando a cadeia produtiva do mercado pet – que envolve desde as indústrias de alimentação animal, passando pelo comércio de produtos do segmento até serviços direcionados aos bichinhos, entre os quais o de hospedagem. 

Segundo dados da Junta Comercial do Ceará (Jucec), 2019 apresentou o maior saldo de abertura de empresas do tipo em pelo menos cinco anos. O Estado encerrou o ano com 934 novas empresas, diferença entre os 1.446 negócios abertos e 512 encerrados em 2019.

O resultado representa um salto de mais de seis vezes em relação ao do ano anterior, que registrou um saldo de 149 novas empresas do segmento no Estado, conforme levantamento da Jucec.

Dos novos negócios abertos no Estado em 2019, 904 (96,7%) correspondem a empresários individuais, categoria que inclui as inscrições de Microempreendedores Individuais (MEIs).

Há ainda 13 novas empresas individuais de responsabilidade limitada, dez sociedades empresariais limitadas e sete cooperativas.

De acordo com os dados do Instituto Pet Brasil (IPB), 79,6% dos negócios do segmento no País são caracterizados como de pequeno porte, com faturamento anual de até R$100 mil. No Ceará, essa proporção é ainda maior: 93% das empresas seguem esse padrão no Estado.

Considerando apenas o ramo de alimentação pet (também conhecida no termo em inglês, pet food), o comércio cearense faturou R$ 495,4 mil no ano passado, segundo o IPB. De acordo com a entidade, no País, o ramo é responsável por 44,6% da receita do segmento pet, tendo movimentado R$ 16,14 bi em 2019.

Proximidade 

Uma dos novos MEIs que passaram a atuar no ano passado no mercado pet do Estado é Tatiana Barbosa. A afetividade e o vínculo com os animais inspiraram a abertura de um negócio para ela e seu marido Clairton Matoso, o Taty Pet Shop, que há cinco meses presta serviços para animais de estimação do bairro Vila União, em Fortaleza. 

Matoso, que já é representante de vendas do mercado pet há 22 anos, lembra que, no início, a movimentação era tímida e a loja recebia de oito a dez animais por dia. Como o casal tinha receio de não conseguir atender a uma demanda mais elevada, trabalharam naquele período sem divulgar o negócio para que pudessem entregar um serviço de qualidade e fidelizar os clientes que apareciam espontaneamente. 

Hoje, a loja já atende de 40 a 50 animais por dia e conta com uma funcionária, responsável por realizar os serviços de banho e tosa nos animais. Até agora, segundo Matoso, a renda obtida com a atividade é utilizada apenas para manter o pet shop e para investir no negócio, que ainda está em fase de expansão.

“Temos cinco meses de atuação, que vem tendo aquele pequeno crescimento. O retorno (financeiro) vem, mas agora torna-se investimento para gente”, destaca o representante de vendas.

Para incrementar a empresa, o casal quer também disponibilizar o serviço de consultório veterinário. Segundo Matoso, a esposa pretende cursar Medicina Veterinária na faculdade para se especializar mais na área.

“Aqui se procura muito o serviço de clínica, por isso a Tatiana está buscando se especializar, porque o bairro aqui é muito carente, muito leigo de informações e serviços veterinários”, relata.

Além disso, o casal espera também poder ampliar o espaço físico da loja e aumentar o mix de produtos ofertados em breve. 

Família 

Quatro cachorros da raça Bulldogue Campeiro são os “filhos” do empresário Rafael Gomes, que diz ser apaixonado por animais. “[31/1 21:41]Quando era mais novo, meus pais sempre compravam cachorros, mas era rotativo, porque eles acabavam dando pra outros familiares. Esses foram os primeiros que eu comprei, cuidei e investi mesmo”.

Legenda: Dom, 6 anos, é o mais velho de quatro cães criados pelo empresário Rafael Gomes

Os custos com o bem-estar animal não são poucos, mas o empresário tenta reduzir. Um exemplo é que ele passou a dar banho nos pets em casa, com a ajuda de familiares.

“No início, banhava em pet shop, porém por meus cães serem grandes acabava ficando muito caro. Também tive problemas porque essas raças têm certas particularidades que muitos petshops não atentam, como respiração e olhos mais expostos”.

Hoje, a maior parte dos gastos com os bichinhos se destina à alimentação. “Meu gasto é apenas com alimentação deles, pois dou uma ração bem reforçada e complemento com alimentação in natura. No total, R$ 445 por mês”, aponta Gomes.

Saúde

Já a estudante Talita Vieira teve que gastar mais de R$ 5 mil em três meses para tratar a perna machucada de um de seus três cachorros. Normalmente, a despesa mensal com ele só com banho e alimentação seria de R$ 250, fora remédio para pulga de R$ 280 a cada quatro meses e coleira de proteção de R$ 290 a cada seis.

Com os outros dois cachorros, de menor porte, o orçamento ainda inclui despesas de R$440 com banho e alimentação, além dos mesmos custos com remédio para pulga, coleira e check up anual, que custa em média R$ 200 para cada animal. “Sou muito apegada a eles”, diz Talita.

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