Ceará registra desaceleração de redução do mercado de trabalho

Segundo os dados do Caged, o Estado terminou o mês de junho com um saldo negativo de 1.740 postos de trabalho fechados, segundo o Caged. O número representa evolução ante maio (-10.244) e abril (-33.322). Empresários, contudo, apontam incertezas

Legenda: Apenas a construção civil e a agropecuária geraram empregos em junho no CE
Foto: Natinho Rodrigues

O pico da crise causada pelo novo coronavírus dá indícios de já ter passado para o mercado de trabalho cearense. Apesar de empresários ainda apontarem muitas incertezas para o segundo semestre de 2020, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério da Economia, indicam uma desaceleração da redução de oferta de empregos. Em junho, o Estado teve o saldo negativo de 1.740 postos de trabalho, o que indica uma evolução ante os 10.244 postos fechados em maio, e os 33.322 encerrados em abril.

Essa desaceleração foi registrada em todas as regiões do País e na média nacional, indicando abril como o período de pior resultado referente ao saldo de empregos durante o período de redução da atividade econômica.

O Brasil, por exemplo, apresentou um saldo negativo de 10.984 empregos encerrados em junho deste ano. Contudo, em maio, o levantamento do Ministério da Economia registrou a perda de 350.303 empregos no País, enquanto que em abril foram 918.286 postos de trabalho fechados.

O cenário se repete no Nordeste, onde o Ceará foi apontado como tendo o terceiro pior resultado. Em junho, a Região registrou a perda de 1.341 empregos, mostrando uma evolução em relação a maio, quando foram fechados 53.656, e ao mês de abril, quando 139.036 vagas formais de trabalho foram fechadas.

O resultado do Ceará, em junho, ficou à frente apenas dos dados de Bahia (-2.533) e Pernambuco (-3.264). Os destaques ficaram para os estados do Maranhão, Rio Grande do Norte e Alagoas, que tiveram, em junho, saldos positivos de geração de empregos de 3.907, 1.746 e 863, respectivamente. A Paraíba também apresentou um resultado positivo, mas de apenas 58 vagas.

Apesar da movimentação positiva nos últimos três meses, os dados do Caged apontam que o Brasil já acumula, em 2020, mais de 1 milhão de postos de trabalho perdidos. Ao todo, são 1.198.363 empregos encerrados em 2020, considerando o período de janeiro a junho.

O dado também garantiu o pior resultado para o País, considerando o período analisado, desde 2010, segundo a série histórica apresentada pelo Ministério da Economia. O segundo pior resultado foi registrado em 2016, quando 531.765 foram encerrados.

Setores

No Ceará, dos cinco grandes setores econômicos apenas dois apresentaram saldo positivo para a geração de empregos durante o mês de junho: a construção civil e a agropecuária. Mas o grande destaque ficou para a construção, que terminou o mês passado com 1.942 empregos gerados. Já agropecuária terminou o mês de junho com 392 vagas de trabalho criadas.

Por outro lado, a indústria geral foi responsável por encerrar 1.255 postos de trabalho. Comércio e serviços dão sequência ao ranking das pioras perdas de oportunidades de trabalho durante junho, com 1.391 e 1.428 vagas encerradas respectivamente.

Em relação aos segmentos que compõem os setores, a indústria da transformação foi o que apresentou o pior resultado no mês de maio, com 1.107 postos a menos em junho.

Expectativa

Esse resultado negativo, contudo, já era esperado pelos representantes do setor, segundo Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Ele afirmou que muitas empresas ainda estão se adaptando ao novo modelo de operação imposto pela pandemia, considerando os protocolos de segurança e as novas dinâmicas do mercado.

Por conta disso, é muito provável que a indústria permaneça apresentando níveis estáveis até o início do quarto trimestre de 2020. Essa estabilidade, entretanto, deverá representar um baixo nível de atividade econômica.

"O nível de confiança mostra que os industriais não estão com expectativa de aumentar o quadro de funcionários nos próximos 3 meses. Se por um lado a indústria de alimentos não foi paralisada e está vivendo um cenário parecido ao anterior à crise, temos setores como calçados, confecções e têxtil que ficaram parados durante três meses e têm mercados que estão menos aquecidos durante essa retomada, então é um cenário bem diverso", explicou.

Com esse panorama de lentidão econômica, a expectativa é que a indústria não contrate para reduzir custos. Os fatores analisados são a expectativa de inflação muito baixa para os consumidores, mas um aumento dos custos de operação em alguns segmentos e a perspectiva de inflação para os negócios.

"A indústria não consegue passar o aumento de preços para o consumidor, então o setor está enfrentando um momento de dificuldade", disse.

A expectativa para a construção civil é um pouco diferente. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, a perspectiva é que a recuperação, de fato, começou para o setor, podendo se manter se não houver uma segunda onda de contágio pela Covid-19.

Ele comentou que o saldo positivo de contratações foi garantido pelo início de obras que foram interrompidas antes da pandemia e pelo fato de que muitas empresas finalizaram empreendimentos e começaram a construir novos.

"Para a gente, a taxa de juros é muito boa porque temos várias pessoas que, em vez de investir na renda fixa ou na bolsa, por conta da pandemia, viram que é necessário é adquirirem uma casa própria ou um apartamento maior", disse Patriolino.

Já o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro, afirmou que a recuperação do comércio está atrelada ao controle dos índices da pandemia e da manutenção dos benefícios concedidos pelo Poder Público, Federal e Estadual, durante a crise.

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