Capitalismo consciente: movimento lança campanha com foco em ações socioambientais

Idealizado pelo Sistema B, a campanha Imperative 21 busca estimular empresas privadas a assumirem práticas que tenham impacto positivo no meio ambiente e em causas sociais; No Ceará, empresas já aderiram

Foto aérea da Avenida Paulista durante ação do movimento imperative 21
Legenda: Movimento teve como marco evento na Avenida Paulista, em 13 setembro, organizado pelo Sistema B, Instituto Capitalismo Consciente. Ações também estão previstas para RJ e BH. Ainda fazem parte dos apoiadores do movimento a Rede Brasil do Pacto Global e o Instituto Ethos
Foto: Divulgação

Com a ideia de fomentar uma agenda de sustentabilidade ambiental, econômica e social entre empresas privadas, o movimento global Imperative 21 lançou, na semana passada, a campanha "Redefina o Capitalismo", que conta com apoiadores no Ceará. O objetivo é mobilizar empresários e a sociedade para que busquem uma redefinição do capitalismo, unindo lucro empresarial com ações que tenham impacto positivo socioambiental.

"É uma grande coalizão global, fundada pelo 'B Lab', que no Brasil é representada pelo Sistema B, que busca o capitalismo consciente. E o principal objetivo é espalhar a mensagem de que a gente precisa redefinir a maneira de fazer negócios, propondo uma mudança de como se faz o capitalismo", diz Tatiana Teixeira, gestora da Comunidade B Ceará, braço do Sistema B.

A primeira campanha "Redefina o Capitalismo" foi lançada em 13 de setembro. Desde então, foram realizadas ações em Nova York, Londres, Washington, São Paulo e outras cidades. No Brasil, o movimento é formado pelo Sistema B (braço do B Lab na América Latina), Instituto Capitalismo Consciente Brasil, com apoio da Rede Brasil do Pacto Global e Instituto Ethos.

"A gente teve um grande marco no Brasil no dia 17 de setembro, com projeções de imagens da campanha na Avenida Paulista, questionando os modelos atuais", diz Tatiana. Novos atos da campanha estão previstos para serem realizados no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Segundo a gestora da Comunidade B Ceará, as próximas ações do movimento consistirão em encontros online com "grandes lideranças de empresas que são protagonistas no movimento de redefinir o capitalismo".

Empresas cearenses

Após a fase de divulgação, Tatiana diz que será feita uma mobilização com grandes empresas para mostrar as possibilidades de unir lucro com ações de impacto socioambiental. "Todo mundo está engajado", ela diz. Hoje, o Ceará conta com três empresas integrantes do Sistema B. "O Ceará é muito relevante para o Sistema B. É um Estado onde a gente tem uma comunidade local e vem crescendo bastante", destaca Francine Lemos, diretora executiva do Sistema B Brasil. "Hoje temos 10 comunidades locais, entre elas o Ceará, que é a nossa principal comunidade no Nordeste".

A empresa cearense in3citi Investidora Social, por exemplo, busca fazer uma ponte entre investidores e empresas com engajamento social e ambiental. "Nós buscamos investidores que tenham a sensibilidade de investir em negócios que gerem impactos positivos nas áreas social e ambiental. É uma alternativa de diversificação da carteira de investimento tanto de empresas como de patrimônio pessoal", diz Haroldo Rodrigues, sócio da empresa in3citi. "É como um fundo de investimento mas focado em empresas de impacto, no qual o investidor, além do resultado financeiro se beneficia dos impactos sociais e ambientais", diz.

Desde 2017 no mercado, a In3Citi atua em Fortaleza e São Paulo, mas o público-alvo são os investidores cearenses. Haroldo Rodrigues considera que o atual momento de crise é favorável para o investimento nessas empresas e que a tendência é que o segmento apresente crescimento expressivo nos próximos anos.

"A gente vive uma transição que é irreversível. A dúvida que temos agora é sobre a velocidade dessa transição", diz Rodrigues. "A crise atual, nesse momento de transição de pandemia para o pós-pandemia, é extremamente indutora para que esse modelo de negócio que a gente tem feito seja melhor compreendido pela sociedade, por investidores e por empreendedores. Além disso, transformação digital que estamos vivendo incorpora a possibilidade de inclusão das classes C, D e E nesses investimentos".

Adesão

Embora os pilares do Sistema B e da Imperative 21 sejam semelhantes, as iniciativas são independentes e qualquer empresa pode aderir à campanha Imperative 21, e não apenas as que compõe o Sistema B. "Não há restrição. Empresas de qualquer setor, de qualquer porte podem participar. Temos uma ferramenta fácil para qualquer uma se adaptar", diz Francine Lemos. "Com essa campanha, nós estamos convidando as empresas a se juntar a esse grupo, a se tornar mais sustentável". O movimento tem no site imperative21.com.br informações sobre a proposta e ações.

Campanha global

Lançada globalmente, a campanha "Redefina o Capitalismo" já atingiu mais de 72 mil empresas em 80 países, influenciando cerca de 18 milhões de trabalhadores. A Imperative 21 oferece ferramentas para auxiliar as organizações a participar e contribuir para a criação desse novo modelo de capitalismo. Segundo o Sistema B, a coalizão se baseia em três pilares: design para uma economia de interdependência; investimentos para que todos os passos do sistema produtivo sejam mais justos; e criação de valor para todos as partes interessadas.

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