Câmbio elevado faz cearense adaptar viagens

Maioria dos viajantes repensa passeios, mas não deixa de ir ao exterior por conta da oscilação do dólar

Legenda: Agências de turismo ofertam pacotes especiais e aconselham clientes a comprarem viagens com antecedência por conta da variação do dólar

A escalada da moeda americana na última semana pode até ter atrapalhado os planos de quem planejava ir ao exterior, mas a maioria não deve deixar de viajar por isso. De acordo com diferentes agências de viagem da Capital, os consumidores costumam se adaptar à oscilação do câmbio sem perder o passeio, seja escolhendo outros destinos para fugir do dólar ou reduzindo a quantidade de dias fora.

Os destinos nacionais, inclusive, se fortalecem em momentos como este. De acordo com a operadora de turismo CVC, é mais comum a troca do "destino dos sonhos" para o "destino que cabe no bolso". Já no caso de quem mantem os planos para o exterior, a adaptação ao orçamento pode incluir tanto o ajuste da duração da viagem ou a escolha de hotéis all inclusive para reduzir custos com alimentação.

Planejamento financeiro

Por outro lado, segundo a CVC, como os consumidores costumam planejar a viagem internacional com antecedência de quatro a seis meses da data de embarque, a variação da moeda é absorvida no parcelamento, que é convertido para o real na compra. "Não é o valor do pacote (aéreo, hotel, serviços) que deixa o consumidor mais receoso, porque ele acaba diluindo o valor nas parcelas e sabe exatamente quanto vai pagar mensalmente", explica.

A maior dificuldade fica no planejamento financeiro do viajante a respeito de quanto ele deve levar para compras, alimentação e outras despesas, segundo a operadora. "A CVC orienta os clientes a fazerem o câmbio em diversas épocas antes da viagem para ter um valor médio da moeda, além de incluir serviços como ingressos, hotel, locação de carro, passeios e seguro viagem no mesmo pacote para conseguir parcelar com todas as reservas realizadas".

Programação

Já o gerente de viagens de lazer da Casablanca Turismo, Paulo Neto, destaca que embora algumas pessoas tenham receio da alta oscilação da moeda americana e esperem mais para fechar o negócio, a maioria dos consumidores entendem ser uma situação momentânea.

"As viagens são muito programadas, então quem está comprando agora vai viajar daqui a muito tempo, e quem já está perto de viajar já comprou o necessário", aponta.

Promoções

Entre as estratégias tomadas pelas agências para que o mercado de viagens internacionais continue crescendo, a CVC destaca a realização de promoções com companhias aéreas que possibilitam o repasse de tarifas mais atrativas aos clientes.

"Uma delas inclui o segundo passageiro grátis para Miami e Nova York, saindo de todo o Brasil com embarques até junho de 2019 (inclusive para período de alta temporada, como Natal e Ano Novo)", aponta.

As ofertas ainda incluem hospedagens gratuitas para crianças em destinos nacionais e no Caribe, descontos na compra de ingressos para parques temáticos em Orlando (como a Disney) e dias grátis em combos, além de facilidades para o financiamento. "Pelo fato de a CVC fazer reservas em grandes volumes junto aos seus fornecedores, a operadora consegue manter seus preços estáveis e reverter promoções aos consumidores", acrescenta.

A tática é semelhante na Casablanca. Paulo Neto destaca que o surgimento de diferentes promoções no mercado ajuda a fomentar a venda de pacotes turísticos para o exterior. "Temos até hoje (ontem) promoção para resorts de neve no mundo todo, acabamos de receber uma da Copa Airlines para vários destinos na América Central. A entrada dessas promoções ajuda a manter o mercado aquecido", aponta o gerente.

Milhas

Outra possibilidade para contornar a alta do dólar é a compra de passagens por meio de milhas ou pontos de programas de fidelidade. Segundo a CVC, clientes da Livelo já estão resgatando pontos nas lojas da operadora para emissão de bilhetes aéreos de qualquer companhia aérea, e também para efetuar diárias de hospedagens, locação de carro, seguro viagem, intercâmbio, passeios e cruzeiros marítimos, para viagens dentro ou fora do Brasil.

Para quem não tem milhas próprias, comprar as de outras pessoas pode ser outra alternativa para o consumidor que não quer deixar de viajar e ainda economizar. Uma das vantagens desse tipo de compra é que, independentemente da cotação do dólar, passagens com milhas não variam tanto quanto os valores das passagens vendidas normalmente nos sites pela companhias aéreas.