Bolsonaro provou que fala de Guedes sobre auxílio não era 100% verdade, diz Maia

Presidente anunciou que sancionará auxílio ainda hoje

Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A afirmação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que sancionará o auxílio de R$ 600 prova que as declarações do ministro Paulo Guedes (Economia) de que a ajuda dependeria do Congresso não eram 100% verdade, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A declaração foi dada pelo deputado nesta quarta-feira (1º) em entrevista concedida ao apresentador José Luiz Datena na Rádio Bandeirantes. Foi o terceiro ataque de Maia a Guedes desde que o ministro tentou transferir ao Congresso a responsabilidade pelo atraso na liberação dos recursos por conta da pandemia do coronavírus (Covid-19).

Maia elogiou as medidas anunciadas nesta tarde pelo governo para manter empregos formais no país e falou que as decisões tomadas foram corretas. "Hoje o presidente está provando à gente que o que o ministro [Paulo Guedes] disse ontem [terça] não era 100% verdade", afirmou. "É óbvio que o governo tem os instrumentos para editar a medida provisória para garantir os recursos para a renda mínima".

O presidente da Câmara alfinetou o ministro e sugeriu que as acusações de Guedes em direção ao Legislativo tentavam mascarar um erro de avaliação em relação à crise do coronavírus.

Maia citou duas entrevistas dadas pelo ministro. Em uma, à revista Veja, Guedes estimou o custo do combate à pandemia em R$ 5 bilhões. Em outra à Folha de S.Paulo, o ministro disse que não havia propostas imediata e que o plano era de médio e longo prazo. "É óbvio que o ministro está tensionado", afirmou.

"Quando você vai analisando, um homem com a qualidade dele, com o talento dele, com a formação dele comete um erro tão grande na sua análise inicial da crise e minimiza os impactos na economia na crise, ele ainda está organizando o caminho dele", disse.

O deputado acusou novamente Guedes de tentar transferir para terceiros -no caso, ao Congresso- uma responsabilidade que era dele. O deputado afirmou, porém, que isso não o incomodava. Mais cedo, em videoconferência com investidores do banco Bradesco BBI, Maia acusou o ministro de cobrar a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) "que ele nem sabe qual é porque ele não encaminhou".

O presidente da Câmara demonstrou irritação com a declaração de Guedes de que Maia poderia aprovar em 24 horas uma PEC para regularizar a liberação do auxílio emergencial.

"Mas que PEC, ministro, se o senhor não me pediu nada? Eu, junto com os outros deputados, que propusemos a PEC da guerra", criticou. "Isso não vai nos contaminar. Nós não vamos atrasar a votação da PEC por isso, mas eu não acho que a relação está azeitada".

O presidente da Câmara articula a aprovação do Orçamento de guerra. A ideia é separar o Orçamento fiscal do Orçamento da crise. Durante a vigência da calamidade pública, o texto permitirá que o governo não cumpra a regra de ouro, norma que impede endividamento para pagar despesas correntes.

Na terça (31), Guedes e Maia travaram disputa de versões sobre a liberação do auxílio. Enquanto o titular da Economia cobrava a Câmara e afirmava que a efetivação dos pagamentos dependia da aprovação de uma PEC pelo Legislativo, Maia criticou a demora do governo em liberar os benefícios e acusou o governo de mentir na ação que impetrou junto ao STF.

Embora o projeto que cria o auxílio tenha sido aprovado pelo Congresso, restando apenas a sanção do presidente Jair Bolsonaro, Guedes afirmou que o início dos pagamentos à população ainda terá que esperar a aprovação pelo Legislativo de uma emenda constitucional do chamado "orçamento de guerra".